20 de julho de 2009

Walking (On The Moon)

Caminhar para casa.
A minha casa onde, qual toureiro, enterrei a bandeira da primeira noite.
Caminhar para casa, agora sim, a minha casa.

Giant steps are what you take
Walking on the moon
I hope my legs don't break
Walking on the moon
We could walk forever
Walking on the moon
We could live together
Walking on, walking on the moon

Walking back from your house
Walking on the moon
Walking back from your house
Walking on the moon
Feet they hardly touch the ground
Walking on the moon
My feet don't hardly make no sound
Walking on, walking on the moon

Some may say
I'm wishing my days away
No way
And if it's the price I pay
Some say
Tomorrow's another day
You stay
I may as well play
The Police

18 de julho de 2009

Long Time Ahead Of Us

Bad luck
Bad luck you come for me
And the days are only getting shorter

When you come
Come along in the evening
And leave me in the middle of the night

Take me tonight as I am
Leave me the way I was found

Moonlight
Oh, moonlight help me sleep
There’s far too much weighing on my mind

The stars
In the night sky
Yell at me

Oh and shadows to my left
And to my right

Oh and tomorrow will rise
And the sky will be bright
Long time ahead of us
Goodnight
I’ll never change
Now that I got you
The Walkmen

Perguntas-me se penso em ti.
Penso e sinto-te a falta muitas vezes.

Como hoje, enquanto tomava banho com as colunas de som a encherem-me a manhã daquele sorriso embriagado que nem sei de que felicidade vem.

ss

13 de julho de 2009

Não mais.

Tal como naquela noite, as lágrimas escorriam-lhe como rios furiosos cara abaixo. Sabia exactamente onde lhe doía. E sabia que não estava ao seu alcance o alívio destes punhais que agora a penetravam impiedosamente. Não estava ao alcance da sua vontade, da sua súplica o fim do sofrimento. Ao pensamento vinha-lhe aquela frase que um dia leu num daqueles livros velhos que o avô recomendava: “Todos somos responsáveis de tudo, perante todos”.
Mas que teria ela feito e a quem o teria feito para ser dela tamanha responsabilidade? A culpa chegava-se, rastejando. Sabia que tinha sido ela a sonhar aquela viagem. Fora ela, ninguém mais, quem passara horas em frente de mapas e guias para preencher o mais possível aqueles vinte e um dias. Vinte e um dias parecem uma eternidade quando se têm punhais cravados no peito. A culpa continuava, sorrateira, a pressionar o metal para que nunca deixasse de lhe doer.
Era dela aquela responsabilidade, via-o agora claramente. Naquela noite, quando a aconchegou nos braços e lhe pediu com toda a sua vontade que ficasse, era já a culpa do abandono que a matava. Depois de tanto que dela tinha recebido estava a abandona-la para morrer sozinha.
No caminho para casa, por entre soluços e penas tinha decidido a fazer justiça à frase do livro do avô. Fazer-se responsável! Nesse dia decidiu privar-se, até data indefinida, de algo que lhe era quase natural fazer. Teve fé que o sacrifício a tornaria responsável, pelo melhor, esperava. Pelo que tanto desejava. Não fez e não fez e não fez. Estava tudo ali á distância de um dedo e mesmo assim ela não o fez. Foi forte, foi dura, foi mártir pela sua causa.
Durante a viagem, perante a imagem avassaladora de um Homem que, também ele, se sacrificaria pela sua causa, prometeu. Renovou os votos da promessa. Quis muito. E continuou sem fazer, não o fez nunca mais até à volta.
E no regresso, no abraço doente do regresso, tudo o que ela tinha pedido, tão fortemente desejado… Tudo pelo que se tinha sacrificado estava ali. Ela acreditava agora que era sua a responsabilidade daquele abraço ainda vivo. Tinha conseguido. Era tão dela como sua aquela vitória. Aquele abraço. Aquele calor, aquele olhar transbordando ternura como nunca mais viu. Era dela, porque teve força e vontade e sacrifício.

Estava decidido. No calor de uma noite de domingo. Neste Verão depois de três anos, estava decidida a não mais o fazer. O sacrifício estava à mesma distância. O mesmo dedo a separava de tudo quando era preciso fazer para ser responsável pelo que tanto desejava agora. Foi à varanda; fumou o único cigarro da semana. Sorriu, chorou e olhando aquele firmamento estrelado igual ao que a viu crescer, prometeu. Privar-se-ia a partir daquela noite. Todas aquelas areias cintilantes do deserto de escuridão que era aquela noite foram suas testemunhas. Não mais, nunca mais, até regresso nenhum. Acabar com aquilo. Sacrificar a curiosidade sórdida que se lhe havia povoado a alma. Renunciar ao conhecimento penoso. À náusea da injustiça.
Na verdade o que se propunha não era um verdadeiro sacrifício. Era-o para ela, sim; mas não para a sua alma. Sacrifício era continuar naquilo. Mas estava acabado. Em definitivo. Era o fim.
Nessa noite, ontem, tornou-se responsável de tudo, perante todos. Perante si.

ss

8 de julho de 2009

Aquele Livro nesta manhã.

Hoje acordei cedo demais e com uma passagem daquele livro na cabeça:

Estava curado - mas não feliz.

Adoro mesmo aquele livro que já adquiri num alfarrabista sexy do Porto e cujo original também já comprei numa Fnac parisiense!
Não vejo a hora de o ler, em francês, na minha varandinha soalheira!

Ler livros, bons livros, é um vício.
Mais forte que isso só roer as unhas
e os dedos.

ss

2 de julho de 2009

Outra vez a minha Maria

Tinham ficado os planos para Junho. Eram planos delineados com carinho, o mesmo carinho que nos fez sair de casa, cheios de sono para nos fazermos à estrada. Novamente até à Régua. Por esse serpentear do rio, esse verde de vinha farta de folhas.
Em Maio a tia estava doente. A gripe atacava-lhe o corpo velho e fraco. Mas a fé? Essa era inabalável. A tia, a minha tia Maria, tinha uma promessa à nossa senhora dos Remédios. E a tia, a minha tão terna tia Maria, não queria morrer sem pagar a promessa que tinha feito. Disse-o assim, com esta capacidade de desprendimento da vida. Esta tia que eu nunca tinha ouvido falar do fim. Esta tia que eu pensava que nem tinha fim…
A promessa era dura demais para ser cumprida por alguém com aquela idade. A promessa era tão dura quanto a vida lhe foi. E ela aguentou. Insistimos,ainda assim, que aquele sacrifício de joelhos é demasiado para a idade dela. Que a Santa decerto compreenderá que a promessa seja paga por outra pessoa. Mas àquela tia ninguém a demove, ninguém lhe tira da ideia o que ela já tem na ideia. É teimosa, é rija e, mais que tudo, tem fé.
Eu tinha saído de casa preparada para fazer de joelhos os metros ou quilómetros que fossem necessários. Fá-los-ia com fé na fé da tia. Não há em mim fé na Santa. Nem nesta, nem em qualquer outra. Sou uma pessoa de esperança, mas não uma pessoa de fé. Não era muito o que tinha para oferecer à tia… Mas pedi-lhe, roguei-lhe que me deixasse pagar por ela a promessa que tinha feito. Que pagaria com gosto e com essa tal de fé. Que o faria porque gosto dela, muito, e porque o sacrifício a que se propunha era um sofrimento para mim.
Mas a esta tia ninguém a demove. Ela acha que pode. Ela pode, e por isso quer e vai fazer o que prometeu, independentemente do que lhe possa doer…
Apertei-lhe, com uma guita, um pano grosso à cintura (tão fina). E aquele corpo velho, magro e cansado ajoelhou-se diante de mim. Só a minha mão, era o que ela queria, uma mão e uma companhia. Não queria pena ou pesar. Queria uma mão. E eu dei-lha, apertei-lha e senti-a penar a cada passo do seu sacrifício.
Fiz todo o caminho ao lado dela. Senti no braço o fraquejo das pernas cada vez que havia um degrau a subir. As lágrimas caíam-me sem ela ver. Caíam e caíam porque nada mais eu podia fazer do que dar-lhe a mão. E o meu coração apertava-se. O do meu pai também. Ele que caminhava ao lado da tia, em pé, mas sentindo a mesma penitência.
Que força é esta que move uma velha de 80 anos perante tamanho sacrifício? Que força é esta a da fé? Tudo isto é incompreensível aos olhos de quem não acredita, de quem não sabe, nem sente o que é a fé. Mas não deixa de ser comovedora e até inspiradora esta luta com o corpo. Esta fé no sacrifício…

Foi inesquecível esta viagem a Lamego, esta viagem ao munda da tia Maria. Da minha tia Maria. E voltar àquele vale, àquela vinha, às flores e às sementes já separadas para mim (ainda que ela saiba que agora estou em França! A tia não se esquece de nada). Tudo isto, todo este dia, em família, volta a encher-me a alma de qualquer coisa que não sei nomear mas que poderia ser fé na vida.
A Maria, a minha (tão inspiradora) tia Maria sabe já de cor os dias das eleições:
- Calha nas Vindimas as pró governo
E vai votar (se Deus quiser, diz ela) que não se deixa para os outros a decisão.

A minha tia Maria tem mais planos:
- Fazer o Douro de barco até Espanha, interessa-vos?
Eu tenho uma tia.
E tenho fé (à minha maneira).
Fé que a vida nos vai permitir mais uma viagem.

ss

18 de junho de 2009

Hoje lembrei-me de NYC

E do que nevava lá fora quando estávamos no Guggenheim...
Já sonho lá voltar.

ss

13 de junho de 2009

Música do mundo

A sapiência do senhor boliviano que me (en)cantou ao jantar:

No necesito silencio
yo no tengo en quién pensar.
Tenía, pero hace tiempo
Aura ya no tengo más
Atahualpa Yupanqui

ss

10 de junho de 2009

Dia de Camões

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.

Luís Vaz de Camões

ss

7 de junho de 2009

História de um gato aos quadradinhos

Chove contra a minha janela. Diluvia.

A mala está feita, amanhã deixo esta minha casa das palmeiras.
Há raios a iluminar o céu. Ainda assim, porque é o última noite neste citéa, desço até as palmeiras.Estou encostada a uma parede para fugir à fúria das nuvens e do vento. Acendo um camel. Pensava-me sozinha mas há um pequeno amigo que partilha comigo o medo.
Um gato. Um gato preto, daqueles que dizem dar azar, roça-se sedutoramente nas minhas pernas. E fica.
Senta-se a meu lado como que a contemplar a chuva, como eu.
Sento-me para ficar mais próximo do animal que me brindou com tamanho mimo. E ele deixa-se ficar. Aproxima-se um pouco mais até.
Afago-lhe a cabeça e mimo-lhe as orelhas. Ele ronrona, acho que gosta. Fotografo-o. Faz-se desentendido, não olha para a máquina fotográfica.E quando há um relâmpago que irrompe no céu amarelado pelos candeeiros ele tem medo, como eu, e esconde-se nas minhas pernas. Usa o meu corpo para se proteger. Tem medo da chuva, tem medo das nuvens que tanto gritam esta noite.
Eu, com ele aqui encostado a mim, não tenho medo.
Fico.
Deixo-me ficar até a tempestade amainar e o meu amigo desaparecer da mesma forma que me apareceu.
Do céu.

ss

12 de maio de 2009

Uma carta


Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

José Carlos Ary dos Santos


Hoje escrevi-te uma carta. Uma carta de amor. Ridícula como todas as cartas de amor.

É enorme. Pura, quase límpida.

Tão íntima, tão minha, que morreria se alguém a lesse.

R i d í c u l a!!

Exacerbada

e ao mesmo tempo tão fiel.


Vou adorar lê-la daqui a uns tempos, quando for já outra pessoa. Quanto tudo o que escrevi for um lento flutuar no qual prespassarão, como ao longo de um sonho, as imagens da tua ausência, do desencanto, da violência desta tristeza.


ss

27 de abril de 2009

Sons ao entardecer


Like moses has power over sea, s
o you've got power over me!
coldplay


E isso não é necessáriamente mau!


ss

25 de abril de 2009

#1 Lisboa

Este ano eu queria Lisboa!! Queria o largo do Carmo, queria aquelas ruas e aquelas árvores com história. E Lisboa recebeu-me, com abraços apertados e sorrisos tão familiares.
Este dia é, sem margem para dúvida, o dia mais importante do ano para mim. É-o de uma forma tão inexplicável que já não me canso a dissecar as possíveis razões.
25 de Abril é o telefonema para os avós, é o cravo na lapela do avô… são os cravos por toda a casa... Mas é ainda tanto mais: é um sorriso com mais vontade, é um suspiro mais fundo.

Mais uma vez a vida me sorri e, como eu queria, ouvi e cantei a Grândola Vila Morena em plenos pulmões. E cantei o Depois do Adeus, com as lágrimas sufocadas nos olhos vermelhos. Depois veio a Tourada, do Ary dos Santos, que para sempre será o meu poeta (ou não tivesse morrido no mesmo dia em eu nasci).
Quando o cansaço venceu, caminhamos até ao terreiro do paço, e naquelas velhas arcadas apanhei o último táxi em Lisboa.

Já fiz mais um check na minha lista de despedidas. E esta foi deliciosa! Sem a angústia de quando voltar... Despedi-me dos Jerónimos e dos meus tão amados Pasteis de Belém. E fi-lo com quem mais queria fazer. Com quem tinha mesmo que fazer. Houve ainda tempo para um momento fotográfico “Starbucks!!”. Deitei-me mais uma vez na relva do CCB, onde tantas vezes sonhei viver em Lisboa, com vista para o Tejo. Despedi-me da Festa da Música onde tantas vezes adormeci e sonhei como ia ser quando fosse crescida. Tantas amizades aqui cimentei...

Levo ainda comigo a mais bela vista sobre a noite em Lisboa: o Castelo, a Sé, a Ponte 25 de Abril, o Cristo, o Tejo. E o Bairro… as ruas cheias de gente. Os cravos nas mãos.

Com o cerrar das pálpebras, o Rossio, o bolo de cenoura e chocolate no Chiado, a tosta carérrima na Brasileira, o abraço a Pessoa, os passeios pela Avenida da Liberdade, o MP3 gritado cá do fundo, a Assembleia da República, as corridas de bicicleta no parque das nações, os finos no Clube dos Loucos e Sonhadores, a vista arrebatadora do Adamastor, Alvalade e as correrias, o meus tantos e tão bons concertos, o risoto de camarão (com açafrão!)… estão todos cá! E a despedida fica completa com o acenar de mão. O até sempre.

São 7h30 na madrugada de mais um 25 de Abril.

Não sei quando me voltarei a despedir de alguém nesta cidade. Não sei quando volto a esta Gar do Oriente.
Fica a vontade do reencontro.
Levo comigo a Saudade.

SS

18 de abril de 2009

Maria

A noite tinha sido curta.
Eram 8h30 e já estava à porta de casa embrenhada num nevoeiro gélido de Abril. Levava um sumo no bolso e duas bolachas enfiadas na boca.
Vila Real agora é tão perto!
As maias e ­­­­­tojo vão pintando todo o caminho de amarelo. É Primavera e os montes estão coloridos de flores. Vêm-me à memória aquelas viagens ao Alentejo nas férias da Páscoa, onde o verde dos montados era interrompido pelo vermelho das papoilas, pelo amarelo dos malmequeres, e o rosa arroxeado dos cardos. Mas isto não é Alentejo: é Trás-os-Montes. É Douro (o meu Douro).
Depois de atravessar um pouco de chuva no Marão, Vila Real aparece iluminada por entre as nuvens cinzentas e farrapinhos de azul. Com o serpentear da estrada ia crescendo a angústia. Sabia porque ia; porque tinha dormido tão pouco. E ao pensar no que ia encontrar as lágrimas queriam escorrer-me pela cara. Mordia os lábios. Cerrava os dentes…
Fazemos um reforço de pequeno-almoço. Respiro fundo o ar gelado da serra e sinto-o a queimar na cara. Há mais caminho para percorrer. Precisamos chegar ao rio: o destino é a Régua.
Tenho uma tia. É uma tia-avó, irmã de uma avó que já não tenho. É uma tia linda que vive em Travassinhos, Santa Marta de Penaguião, bem na fronteira com a Régua. É dona de todo um vale, que se lhe entra pela janela. Leiras e leiras de vinha que mudam de cor a cada estação do ano. E uma cerejeira velha, quase tão velha como a minha tia. A Tia Maria. A minha Tia Maria.
Esta nova auto-estrada é a mais bonita de Portugal.
A vista para o Douro vinhateiro é magnífica e mais do que vê-la, adoro ver o entusiasmo do meu pai a chegar à terra.
Quando era mais pequena não gostava de ir a essa terra. Porque a casa de banho ficava na loja, porque não havia água quente, porque tudo tinha um aspecto menos limpo do que eu estava habituada, porque o cheiro a vinho, ou uvas, ou algo entre os dois pairava sempre no ar. Mas gostava da Tia Maria. Gostava da forma como ela me apertava, da maneira como me mimava. Gostava até do cheiro dela, a velha. E dos longos cabelos brancos que nunca vi senão devidamente apanhados. Gostava da mancha que ela tem na ponta do nariz.
Vim o caminho todo a fitar as giestas brancas na paisagem. Não há destas maias na Maia. É definitivo: gosto das giestas brancas. Gosto muito e nem sei porquê.
Continuava angustiada com a viagem e na minha cabeça começavam a crescer ventos como aqueles que vinham do Marão. Desde que me conheço tenho horror a escolhas difíceis. Nunca gostei de ter que optar por uma ou outra coisa que gosto. Se gosto das duas, então quero as duas! Há-de haver sempre uma forma de as conciliar. E muitas vezes estive em dois aniversários na mesma noite, muitas vezes estive em concertos consecutivos, em locais distantes. Muitas vezes conciliei pessoas inconciliáveis. Muitas vezes não dormi para ter bons momentos e boas notas. E a vida sempre me foi favorável. Até hoje poucas vezes tive de abdicar de algo que quisesse mesmo ter ou fazer, estar ou ser.
Mas a minha vida está numa nova fase, mais ingrata, mais adulta, mais crua. É chegada a altura em que não me vai ser possível tudo. Não há comboios tão rápidos, não há horas tão longas, nem dias só meus. A minha angústia é essa mesmo: é a conciliação de tudo que eu quero, de tudo que eu gosto, de tudo o que eu preciso, de tudo que eu tenho de fazer.

Já se viam as águas do Douro, mas Travassinhos é um pouco mais acima. Há que subir socalcos por ruelas apertadas e despovoadas.
Passam poucos minutos do meio-dia e a tia já espreita pela janela por onde lhe entra o mundo todos os dias.
A Tia Maria, a minha Tia Maria.
A minha Tia Maria que me aperta como ninguém e me olha como ninguém. Em mais nenhum olhar vejo o orgulho que vejo nela. Sei que me adora. Sinto que me adora. E por isso tinha de vir. Por isso queria tanto vir.
A Tia Maria nunca foi casada, não queria homem para mandar nela. Não sabe escrever mais do que o próprio nome, mas aprendeu a ler pelo livro da catequese… porque queria saber todas as orações do senhor. E porque queria ler os livros de que os irmãos falavam. E leu-os. Maria era a irmã mais velha e nunca foi à escola porque tinha de ajudar a mãe a cuidar dos mais novos. A Maria tratou do campo e da vinha toda a vida. Cuidou da mãe, e depois do pai. Cuidou da casa. A Maria, esta mesma que me agarra a mão com vontade, continua a comer o que planta e colhe, e cuida da sua vinha, qual tesouro precioso. Tem o rosto gasto pelo tempo e pela vida dura de quem carrega mais do que um homem valente devia carregar. Mas é doce e delicada: aprecia e cultiva flores de todas as espécies, feitios e cheiros. E conhece-as pelos nomes. Sabe como e quando regar; sabe a época do ano em que vão espevitar. Recolhe sementes e guarda-as para me dar...
A Tia Maria fez hoje 92 anos mas não se esqueceu de nada. Têm a cabeça mais fresca que a minha e sabe todas as datas que lhe são importantes de cor. A Tia Maria usa calças (porque são de mais aconchego para o vento Sudão) e não acha mal que haja divórcio. A Tia Maria faz-me chorar, só de a ouvir contar as histórias de quando o meu pai era pequenino e lhe roubava o mel das colmeias. A Tia Maria enche-me de orgulho e de emoção quando me fala do meu rio: o Douro, o meu Douro. Aquele que me sabe a casa a cada sexta-feira.

Hoje cantei os parabéns à Tia Maria. Tinhamos um bolo e duas grandes velas vermelhas. A velha Maria bufou as velas pela primeira vez na vida e chorou, comovida, abraçada a nós. Os quatro brindamos com vinho generoso da terra.

A minha Tia Maria encheu-me o coração. E mesmo que a angústia de não a ver mais me faça chorar todo o caminho de volta, ficam os planos para Junho! E eu cresço mais um bocadinho, e aprendo mais um bocadinho do que é a vida, a família, e o ter uma profissão.
ss

10 de abril de 2009

Tenho sempre o Jamie para ouvir...

(...)
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become...
Standing strong
Do you belong
In your skin...
Just wondering

Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song

Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
(...)
(Gran Torino; Jamie Cullum, Clint Eastwood)

8 de abril de 2009

"Catch the sun,before it's gone"

Gosto mesmo destas tardes ensolaradas em que me sento à varanda e a música se mistura com os pássaros até à hora do jantar.
Gosto de estudar sentada no chão, com as pernas apoiadas na floreira (da qual é minha função cuidar)!
Gosto da pele quente e das rugas que ganho a ler com tanta luz.
Gosto da nortada a enviar-me folhas para locais estranhos (que incluem o jardim do vizinho).
Gosto de verdinho fresco das árvores a despontar para um novo ciclo.
Gosto da minha laranjeira carregadinha de flores que cheiram maravilhosamente e que, um dia, vão dar laranjas (que vão ter gominhos!).
Gosto do cheiro a terra ainda molhada.
Gosto do Sol e gosto do Jamie!

Every day it comes to this
Catch the things you might have missed
You say, get back to yesterday
I ain't ever going back
Back to the place that I can't stand
But I miss the way you lie
I'm always misunderstood
Pulled apart and ripped in two
But I miss the way you lie

Catch the sun, before it's gone
Here it comes, up in smoke and gone
Catch the sun, it never comes
Cry in the sand, lost in the fire

I never really understood
Why I didn't feel so good
But I miss the way you lie
I've always been up and down
Never wanted to hit the ground
But I miss the way you lie

Catch the sun, before it's gone
Here it comes, up in smoke and gone
Catch the sun, it never
Cry in the sand, lost in the fire
(Jamie Cullum, Cathing Tales)


SS

21 de março de 2009

Porque hoje me lembraram que eu era Primavera

Obrigada óh promessa do ski!
És um bocado desta Primavera!!!


E porque nunca é tarde para ler o que me ofereceram no aniversário:

Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.

Pablo Neruda
Veinte poemas de amor y una canción desesperada
SS

17 de março de 2009

Conversas importantes…

As segundas nunca são dias bons. Tenho sono e ainda saudades do fim-de-semana. Mas esta segunda que começara em Paris (e com lágrimas) acabou com o coração cheio. Mas mesmo cheio: a rebentar pelas costuras. Acho que nunca ninguém me tinha dito nada tão bonito.

Sabes o orgulho que tenho em ti! Sabes! Já to disse. E saber que tenho algum tipo de intervenção (mesmo que mínima) na pessoa em que te transformaste… enche-me de orgulho, e carinho.
Um amor de amigo, como disseste…
Tenho-te muito!

Obrigada, obrigada, obrigada!!!

SS

11 de março de 2009

Bordeaux , Camels et Sinatra

I: Aeroporto de Lyon-Sait Exupery.
Encostada à modernidade, com uma eira de vazio para me acompanhar: aí estou, de óculos de sol a sentir a face torrar com a pequena aberta que a nebulosidade me concedeu. A ver os aviões a levantarem voo a uma cadência ritmada… Penso nos sítios em que ainda quero ir. A sonhar que posso voar agarrada a cometas... como só Principezinho podia. Sinto, finalmente, minha aventura (vulgo PhD) a começar. Além de dedos roídos e um cigarro esfumegante, sinto que tenho muito pouco. E à medida que os músculos se encolhem em resposta à nicotina que me entra no sangue tenho a certeza de que quero dar tudo…
Apetece-me cantar-te “Come fly with me! Lets fly, lets fly away!”

II: Hotel Citéa, junto da piscine.
Tenho os pés descalços e a gelar dentro das minhas sabrinas. O cabelo molhado e meio pijama vestido. Amanhã vou conhecer o meu futuro. E defini-lo, para breve ou para logo… O pânico começa a dissolver-se nas passas mal dadas. O frio é demasiado… a fome é avassaladora. As saudades do chão firme prendem-me ao banco de jardim.
Londres é longe daqui… e Portugal é tão quentinho.
Apetece-me sussurar-me “You aint seen nothin yet... The best is yet to come, babe! and wont that be fine”

III: Walking home... #1 day.
O local é excelente, as pessoas amorosas, o chefinho é um pequeno doce! A comida tem trago doce, e o campus é verde. Há Russian Earl Grey para beber a qualquer hora.
As fatias saem bem porque o mecanismo é magnético. As mossy fibers disparam bem: há facilitação.
Sei tão, tão, tão pouco…
ainda assim ganhei uma bicicleta e uma secretária à janela.
“Nothing the best is good enough for me”

IV: balcon à l'extérieur du laboratoire - zone fumeurs
Mil perguntas : chuva, praia, casa, preços, carro, cinema, o Verão, transportes públicos, as festas, comida, bicicletas, ski, os outros grupos, a cantina, o chefinho.
A manhã ou a tarde. Cerveja ou vinho. Coimbra ou Porto. Café ou Chá. Paris…
Carinho.
“Unforgettable, though near or far.
Like a song of love that clings to me, how the thought of you does things to me”


V: Chuva, palmeiras e piscine no Citéa
Voltam os pés descalços. O frio e o cabelo malhado. Aprendi tanto… vi tanto. Criei e atei laços (com força e com vontade). Sinto-me apaixonada e motivada. Amparada e mimada… e ainda assim sozinha e carente. Tenho tudo e falta-me tudo.
Queria abraços apertados e mimos (categoria 3.11).
Queria o meu sofá de Coimbra...
Fazes-me, em definitivo, muito falta.
E a Lua, lá está, descoberta a desejar.
Boa Noite
“I stand at your gate.
And the song that I sing is of moonlight.
I stand and I wait
For the touch of your hand in the June night.
The roses are sighing a moonlight serenade.
i
The stars are aglow.
And tonight how their light sets me dreaming.
My love, do you know
That your eyes are like stars brightly beaming?
I bring you, and I sing you a moonlight serenade.
i
Let us stray 'til break of day
In love's valley of dreams.
Just you and I, a summer sky,
A heavenly breeze, kissin' the trees.
i
So don't let me wait.
Come to me tenderly in the June night.
I stand at your gate
And I sing you a song in the moonlight.
A love song, my darling, a moonlight serenade”
i
ss

20 de janeiro de 2009

"Next year, things are gonna change"

O ano começou sem pé, mas com confétis. Sem calor humano, mas cheio de pessoas. O ano começou devagar, com oito passagens de ano. Oito meridianos de pessoas a desejar um 2009 cheio de alegrias e realizações.
Também eu tratei de eleger as minhas resoluções de ano novo: escrevi-as cá dentro. Domingo (podia ter sido um qualquer, mas era esse!), chegada a Coimbra, tratei de os passar para confétis. Os confétis de Times Square. Confétis que voaram entre prédios e luzes e vieram parar às minhas mãos de uma forma Serendipitiosa. Confétis que voaram, um de cada cor, ao som de John Lennon.
Imagine...
Passando por cima de toda a tristeza sou capaz de os escrever, tal qual os imaginei naquela noite gélida. Estão cá todos ainda, e continuo a quere-los muito.
E só mesmo usando a força da imaginação aguentarei esta semana… porque a mim, a cidade parece-me despida de qualquer encanto que alguma vez tenha tido (e tinha muito, mesmo muito!).
É horrivelmente impessoal e transpira insensibilidade. Está despida e não tem pudor.
É indiscreta.

Faz-me mal.

ss

25 de dezembro de 2008

"O Pinheiro Descontente"

Natal… uma bela altura para partilhar um pequeno conto de Natal que tenho num livro que guardo com todo o carinho. Um livro daqueles que está farto de ser lido, tem folhas coladas com fita-cola e a capa cheia de desenhos feitos por mim… Um livro como deve ser: gasto!

Era, uma vez, perto de um lago gelado que brilhava como um espelho, um pinheirinho descontente.
- Não gosto do Natal! – gritava. Não quero ser enfeitado. Só gosto do meu fato verde!
Pensar que poderia ir para uma casa punha-o doente. E como só pensava nisso, acabou por ficar mesmo doente. Ah! Quantas lágrimas de resina ele chorou na floresta! Chorou tanto, tanto que, no dia 24 de Dezembro, adormeceu esgotado.
- Coitado do pinheiro! gemiam os vizinhos. Não vai festejar o Natal…
Os duendes ouviram estas palavras e zás!, foram para o lago nos seus trenozinhos. Às escondidas enfeitaram o pinheiro que dormia.
- A minha injecção vai cura-lo! Disse o duende-médico.
Mas o pinheiro nem precisou de injecção. A lua apareceu, aureolando-o de prateado, e ele acordou. Viu o seu reflexo no lago, sorriu, e foi dançar no gelo. Pois é, ele dançou de alegria! Porque achava-se muito bonito, vestido de luzes… Porque agora adorava o Natal!
Os duendes dizem que ele rodopiou tanto que levantou voo e chegou a casa do Pai Natal onde, nessa noite, brilhou como nunca.


Creio que o meu pai me leu este Conto mais de mil vezes…
Talvez por isso eu goste tanto deste símbolo de Natal… de ficar à lareira, media luz, e adormecer com a luzes cintilantes do pinheiro (e os pés escaldados).
Talvez por isso goste tanto de rodopiar e voar… de flutuar, e, em certas alturas, de brilhar (cá dentro) como nunca!

Adoro o Natal e adoro a minha família!
SS

12 de junho de 2008

Secret Heart

Pela primeira vez fui a um concerto na véspera de um exame. Pela primeira vez, também, bebí um fino na véspera desse mesmo exame.
Estudei a noite toda até ao exame, como sempre, e fumei o Camel da praxe à janela, entre as 5h45 e as 6h00, tão bem marcadas pela Cabra (como sempre, pois claro). Vi os primeiros raios de Sol reflectidos no Mondego e voltei para a secretária sempre ao som de Feist.
E por entre passas mal dadas e golinhos de Cola 0 (roubada numa noite da Queima): a música! Esta música. Escutada de olhos fechados e emoção na pele. O corpo dormente da nicotina libertou os pensamentos do cansaço. A Primatologia pôde esperar e ficamos só os dois: eu e o meu coração secreto.


Secret heart
What are you made of
What are you so afraid of
Could it be
Three simple words
Or the fear of being overheard
What's wrong

Let her in on your secret heart

Secret Heart
Why so mysterious
Why so sacred
Why so serious
Maybe you're
Just acting tough
Maybe you're just not man enough
What's wrong
Let her in on your secret heart

This very secret
That you're trying to conceal
Is the very same one
You're dying to reveal
Go tell her how you feel

Secret heart come out and share it
This loneliness, few can bear it
Could it have something to do with
Admitting that you just can't go through it alone

Let her in on your secret heart

This very secret
That you're trying to conceal
Is the very same one
That you're dying to reveal
Go tell her how you feel
This very secret
Go out and share it
This very secret
SS

17 de maio de 2008

A maravilhosa vida de um gominho de laranja

Quando se ganha um amigo há um novo espacinho que nasce em nós. Se eu fosse uma laranja, um novo amigo era um daqueles gominhos (a que a minha avó me ensinou a chamar filhinhos). E não é fácil a vida de um gominho: lutar pelo seu espaço, empurrar os outros gomos uns contra os outros para que haja lugar para si naquele coração, laranja, digo! Mas para a laranja este nascimento de um novo gomo também não é um processo passivo. Ela precisa ter muita arte para arrumar cada um dos seus gomos e dar-lhes os devidos nutrientes… Já imaginaram reivindicação social de gomo por igualdade de oportunidades? Não deve ser fácil.

Numa laranja há gomos maiores que outros, uns mais doces outros mais ácidos. Mas o que interessa numa laranja, o que faz dela uma boa peça de fruta, é o seu sumo. É a soma de cada um desses gomos bem espremidos. Um gomo mais azedo logo é compensado pelos gomos mais docinhos. À laranja doce demais falta-lhe aquela acidez característica dos citrinos… por isso até os gomos mais azedos são bem-vindos!

E se um gomo resolver que já não quer mais fazer parte daquele todo, que é a laranja? Aquela laranja que se esforçou tanto para que ele nascesse. Aquela laranja que empurrou para os lados os outros gomos mais antigos e lhes explicou, com paciência, a importância dos gominhos.
Aquela laranja pediu, com todo o seu coração, caroço, digo!, para que o gomo ficasse e fizesse parte dela. Mas o gomo só poderia ficar se fosse verdadeiro… Então a laranja implorou-lhe que fosse verdadeiro.

Um gomo de uma laranja, uma vez nascido, já não pode mais sair. Há a casca!! Para partir, o gomo comprometeria toda a estrutura da laranja… e nem mesmo o gomo mais cruel quer mal à sua laranja!
O gomo ficou.
Mas não foi verdadeiro. E então foi apodrecendo…
Nenhum gomo apodrece sozinho.
Aos poucos toda a laranja estava comprometida. O gomo, que nem queria mal à sua laranja, fê-la cair, apodrecida e dolorida, no chão.

Moral da história:
1ª: Ainda bem que não sou uma laranja, ou estaria estatelada no chão à mercê da minha cadela-comedora-de-laranjas (ainda que nenhuma dentada dela doesse tanto como a queda!).
2ª: Tenho de parar de comer laranjas na cantina.

ss

14 de maio de 2008

Uma semana de nostalgia

Depois de uma semana tão cheia de momentos emocionantes. Uma semana a escrever fitas, como se um pedaço de pano pudesse transportar tudo o que há a dizer a cada um de vocês... Uma semana de despedidas que na verdade não são imediatas como se poderia prever… aqui fica uma saudade, imensa (10 anos!), daquela voz que não terá par, tal qual estes meus anos por Coimbra.

And now, the end is here
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case, of which I'm certain

I've lived a life that's full
I traveled each and ev'ry highway
And more, much more than this,
I did it my way

Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do and saw it through without exemption
I planned each charted course, each careful step along the byway
And more, much more than this,
I did it my way

Yes, there were times,
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all, when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall and did it my way

I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside, I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way,
"Oh, no, oh, no, not me, I did it my way"

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught
To say the things he truly feels and not the words of one who kneels
The record shows I took the blows and did it my way!

Há uma jornada de vida que está a chegar ao fim… uma meta que precisa ser alcançada, ainda que as vezes me faltem as forças para o sprint final. Independentemente do pânico que me possa assolar neste momento, uma certeza eu tenho:
Yes , It was my way!

ss

22 de abril de 2008

Love Emergency

Sabes que dia é hoje?
Gostaria de te pedir que viesses hoje, já, imediatamente para aqui! Com toda a educação exigir-te que estejas ao meu lado esta noite. E não! Não pode ser amanha, ou daqui a uma semana! Eu preciso que seja hoje.
Queria tanto que fosse já!

ss

21 de fevereiro de 2008

Estado de Espirito

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in this grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.

So we are history,
Your shadow covers me
The sky above,
A blaze only that lovers see.
Amy Winehouse (Tears dy on their own)


Tenho saudades,
i m e n s a s!
que a cada dia se vão retorcendo cá dentro,
mas que já nao cabem neste corpo apaixonado.
ss

15 de setembro de 2007

"Fazes muito mais que o sol"

O dia nasceu quente convidando a um passeio, mas o corpo estava demasiado cansado para a viagem. A mente não! Estava desperta, cheia. Era um dia seguinte a um exame!! Resisti, como sempre, às vontades do corpo e fui.
Menos de uma hora depois lá estava sentada por baixo da árvore da saudade. Poderia ter escolhido a do amor, a da esperança... mas eu queria a da saudade, pois é debaixo dela que está o banco com a melhor vista para o Douro, para a vida e o que de melhor ela tem! Liguei a minha Pandora (é assim que chamo ao meu mp3) e deixei-me ficar quietinha, de olhos bem abertos para a cidade e para dentro de mim. Adoro o ziguezaguiar deste “jardim dos sentimentos”.
Adoro a forma como me sinto invadida de prazer quando me sento neste cantinho do Porto. Adoro a forma como o ar é leve aqui. Pudesse eu escolher um pedacinho do mundo só para mim e escolhia este banco por baixo da saudade.
À medida que ia percorrendo aquele labirinto de calçada branco-lua, com o olhar, sentia-me como que a jogar com os sentimentos que as várias plantas me inspiravam. Daqui tudo parece conjugável. Não há sentimentos disjuntos, ou impossíveis: aqui posso reunir tudo o que tenho cá dentro e formar um jardim belo e harmonioso. Aqui a dor aparece-nos vestida de uma estátua cinzenta e marcante, bonita até. A saudade é frondosa e oferece abrigo nos dias em que o Sol nos parece magoar. A solidão é uma araucária erguendo alto as suas taças, transbordando de folhas, contra o céu nublado. O amor é caduco, instável, com flores de um rosa perfumado na Primavera e despido nos dias de Inverno.
Neste jardim dos sentimentos, tudo é o diferente do que devia ser. Aqui não me parece feio querer-te. Aqui, gostar de ti não é o contrário de gostar de mim. Neste cantinho a vontade conjuga-se com o verde do rio e faz-me querer-te, sem recriminação. Aqui as vozes das árvores sussurram desejo e trazem sonhos sumptuosos e incontroláveis. O coração ganha vida própria e apressa-se a bater, desesperado, por nós.
Mas se nesse jardim me sinto uma guerreira corajosa, de longos cabelos pendentes na brisa e uma espada pronta a desfazer, sem mácula, todos os medos, fora dessa redoma sou (apenas) eu, de cabelo curto e sem armas que me permitam atravessar a floresta sinuosa em que me deixei cair. Estou suspensa entre mim e ti, e preciso optar: ou por mim, ou por ti. Não posso viver sem mim, mas custa-me tanto viver sem ti. Se ao menos nesta floresta escura houvesse uma árvore da saudade...
Se a houvesse juro que treparia até ao topo para te cantar:

“Vem quebrar o medo, vem.
Saber se há depois
E sentir que somos dois,
Mas que juntos somos mais.”

PS - um dia sonhei que esta era a nossa música!

ss

11 de setembro de 2007

11 de Setembro

Estas férias fizemos arrumações ao sótão. Brinquedos, livros, cadernos... caixinhas de memórias de toda uma vida. Selecionar o que é ou não para guardar... recordar! Abri o livro das memórias e tenho-o pousado no regaço pronto para o folhear, deliciosamente.

Recoração #1
Um jornal da "escolinha". O primeiro artigo de opinião publicado. O choque...

Já passaram seis anos (acreditam?). Hoje, depois de visitar NY, de andar pelas ruas (que aqui aparecem sujas) de nariz no ar, tentando imaginar as duas torres, continuo a arrepiar-me. Continuo a não querer acreditar... apesar de ter visto aquele buraco gigante rodeado de fotografias de bombeiros e policias mortos.
Perto daquele Ground Zero todos nos sentimos tocados... profundamente.

ss

25 de junho de 2007

Flutuo

Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
O meu destino está fora de mim e eu aceito
Sou eu despida de medos e culpas, confesso

Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã

Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
Amanhã, pensar nisso sempre me dá mais jeito
Fazer de mim pretérito mais que perfeito

Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã

Hoje eu vou fugir para não me dar a vontade de ser tua
Só para não me ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã, amanhã
Flutuo

(Susana Félix)

Para (re)começar, nada melhor que uma música que, para mim, é perfeita!!!

SS

24 de junho de 2007

Amor Perfeito

As vezes a falta de tempo atropela-nos os dias e não há instantes para reflectir sobre os sentimentos que teimam em passar por mim a 200 quilómetros horários. Há muito que precisava desse tempo. Queria-o para mim, para me ver ao espelho: neste espelho reflector que é o meu “cadernito antigravidade”.
Aproveito cansaço dos Santos Populares para me sentar, como tanto gosto, de “pernas à chinês” sobre a cama. Olho para a folhagem de verão, no seu verde forte (longe daquele verdinho fresquinho da Primavera), que se estende para lá da minha janela. Foram estas mesmas árvores que num dia de Inverno me fizeram ter vontade de escrever. Os ramos despidos que apareciam por entre um nevoeiro cerrado faziam-me desejar uma mudança.

Mudar. Será possível uma pessoa mudar sem perder a sua índole natural. Não sei bem se gosto da palavra mudar. Sempre preferi a palavra recomeçar. É que na palavra mudar está implícito um erro: “se vou mudar é porque este caminho está errado, ou não me leva ao meu objectivo”. Mas estará de facto errado? Temo parecer teimosa, casmurra... O problema é que não há em mim esse sentimento do “errado”... Não acho que deva mudar. Porquê contentar-me com uma solução intermédia se continuo a acreditar na perfeição? Continuo a querer apenas a perfeição. Não, não me chega um amor bom, eu quero um amor perfeito, um amor que se enquadre nos cânones da perfeição romântica. E não vou mudar, recuso-me! Vou antes continuar a recomeçar de cada vez que falhar.

Mas o que é um amor perfeito?
Pode ser um flor muito bonita que já tratei de estudar até ao mais pequeno pormenor (velha promessa de criança) e que adoro guardar no meio dos livros que mais gosto.
Pode ser um sonho, uma utopia de alguém que continua a acreditar na perfeição.
Amor perfeito, para mim, não significa intervenientes perfeitos ou relações perfeitas. Amor perfeito é isso mesmo: perfeito, porque as duas pessoas que o constroem não poderiam gostar mais uma da outra. Amor perfeito ocorre quando a conjugação do sentimento é total, como se resultasse de um vaso partido, cujos cacos se encaixam “na perfeição”. As vezes quando o vaso se parte, sobram pequenas poeiras de cerâmica que impedem que as peças se encaixem na totalidade. Há hiatos, pequenas falhas que estragam todo o resultado final.
Perde-se a perfeição.
Morre o amor.
Um amor perfeito faz-se de um material intocável: de amor! É ele que não deixa o vaso quebrar-se em pedacinhos pequenos e irrecuperáveis. Um amor perfeito não é um vaso inquebrável! Continuando a metáfora, o amor perfeito é um vaso que, não importa quantas vezes se parta, volta à sempre ao seu aspecto inicial: perfeito. Sem fissuras nem pontos fracos. Sem marcas. O amor perfeito é feito desse material imaculado que é a confiança. Amor perfeito é aquele que não muda! Que se pode recomeçar... mas que não muda!

Tudo isto para dizer que estou a recomeçar! E que como objectivo não tenho nada menos que um amor perfeito!

PS1 - Achas possível?
PS2 - Eu acredito que é!

ss

8 de abril de 2007

O peso e a leveza

O peso ou a leveza?
A leveza do peso ou o peso da leveza?
"O peso é atróz e a leveza bela?"

Há vários dias que me tenho ocupado em deambulações mentais sobre este tema. Sempre acreditei que uma vida ideal seria aquela em que o peso (leiam-se as relações humanas que vou estabelecendo) seria tanto que se tornava leve. Como se o peso e a leveza se conjugassem na perfeição para uma existência equilibrada e feliz. A vida seria então a busca de uma leveza dentro do peso. Porque o peso era real, estava mesmo lá, implacavelmente forte; competindo-nos a tarefa de o tornar leve, de fácil trato… saboroso até.
Olhando-me no interior sei que sempre senti que a minha vida era leve, tão leve que, por vezes, se tornava insustentavelmente leve e por isso me pesava. Porque no vazio da leveza as partículas do nada chocam ferozmente contra a mim. Magoam! Empolam ainda mais o nada que me preenche, esvaziam-me. As vezes sinto-me como um balão que de tão insuflado se perde do chão e flutua à deriva numa camada acima da atmosfera… onde falta oxigénio e faz frio. Muito frio. Não sou infeliz. De todo! Mas sinto falta do peso como um balão sente falta dos sacos que o levam ao solo quando precisa descansar. Sinto falta do peso como bússola que me oriente numa direcção (ainda que possa estar errada). Sinto falta do peso mesmo que este possa pesar demasiado. Para mim o peso é concreto e real, e a leveza pode não ser mais que uma sensação, prazerosa mas efémera. Numa queda livre, a leveza do nada pesa com toda a sua gravidade e precipita-me numa vertigem.
O problema é que a separar o peso sustentável do peso insustentavelmente pesado está uma barreira muito ténue que é facilmente transposta. Terei eu a capacidade de evitar o insustentável peso sem me perder na insustentável leveza do ser?Tenho medo (talvez terror) do peso demasiado, da prisão de um sentimento, das obrigações e convenções a que o coração me obriga. Tenho medo da dependência, do hábito. Tenho medo de tudo que me possa ser arrebatador e por isso privo-me. Então, independência e desobrigação conjugam-se na mesma equação que, não tem outra solução senão a Solidão. Se a leveza comporta nela o medo de voar, o peso faz-me ter medo de cair. Ambos me entorpecem. Flutuo na leveza com pânico do peso demasiado e perco-me do peso sustentável, daquele peso bom que adoça a leveza sem a tornar menos leve.
Porque fujo do peso a minha leveza tornou-se pesada! Insustentavelmente pesada de tão insustentavelmente leve.
Tenho vertigens!

ss

21 de março de 2007

E porque hoje é o dia mundial da poesia...

Amor sem Tréguas

É necessário amar,
qualquer coisa ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.

Não importa de quem,
não importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.

Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá o que for.

Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.

Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.

Amar como um homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.

Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.

(António Gedeão)
ss

9 de março de 2007

Ontem... Hoje. Amanhã!!

Vazia, vazia como nunca! Perdida da ilusão que eu própria criei…
Durante meses… muitos meses, a tua imagem aqueceu-me os dias e, todas as noites antes de me deitar procurava um bocadinho de ti… de nós.
Até ontem.
Ontem foi última vez que me permiti procurar-te. Foi a última vez que esperei, esperançada, por uma resposta tua.
Hoje
Saudades!
Aviva-se a memória! Vejo-me a andar pelos corredores de um hotel em Nova Iorque, em calçõezinhos de pijama, a fugir dos hóspedes que entram e saem dos quartos, a toda a hora, nessa cidade que nunca dorme. Lembro-me de me esforçar ao máximo para não acordar nenhum turista cansado… mas de o ter feito! Sorrio ao relembrar a corrida desenfreada por dois andares acima em fuga a um turista rezingão que (com toda a razão!) me queria esfolar por lhe ter perturbado o tão valioso sono… Lembro-me de te sussurrar pelo telefone que tinha saudades tuas. E como tinha!!
Lembro-me do postal que te escrevi.
Lembro-me que a cada visita que fazia, a cada novidade, cada monumento, a cada sensação… o que mais me apetecia fazer era ligar-te! Partilhar contigo os sentimentos que aquelas cidades, e todas aquelas histórias me traziam.
Lembro-me do tempo em que uma simples lembrança tua me preenchia, como mais nada. Lembro-me dos dias em que te encontrava em todo o lado, num livro, num filme, numa simples conversa… e flutuava, sozinha, de encontro a ti, ou ao que eu sonhava que tu fosses. Ao que eu queria (tanto) que tu fosses. Provavelmente ao que eu imaginei que tu fosses. E perdi-me. Perdi-me da realidade: porque ela não era suficiente, porque muitas vezes magoava, porque era assim mesmo, real e descolorida.
“Não me culpes”. Não me julgues só por aquilo que julgas saber. Porque não sabes. Porque eu não te disse.
“Não culpes o meu coração”, porque ele se encheu, transbordou de ti. Está encolhido agora, tirita de frio pela tua ausência. Ou pela ausência do que nunca foste, mas que ele sempre esperou que viesses a ser.
Culpa antes, a minha racionalidade acéfala, a minha forma flutuante de vivenciar até as coisas mais terrenas. Culpa-me, por te ter querido tanto, tanto tempo. Culpa-me por ter alimentado a ilusão com mensagens de segunda-feira de manhã e com migalhas de lembranças de momentos cada vez mais distantes e aconcretos!
Perdi-me de ti e perdeste o sentido…

Há cerca de dois meses escrevi-te um postal (mais um). Queria entregar-to, mas não pude, não deu (cliché horrível este!!), não quiseste!
Vou guarda-lo, com carinho, com amor… junto de todas as outras lembranças adoráveis que me trazes.
Amanhã, tu serás só tu. A ilusão e o amor ficarão fechados naquela gaveta funda onde guardo tudo aquilo de que um dia me preencheu, mas que não preenche mais.

Boa noite.
ss

6 de março de 2007

Que bom, tão bom!


Esse calorzinho (que nos aquece):

I'd like to close my eyes and go numb
But there's a cold wind coming from
The top of the highest high-rise today
It's not a breeze cause' it blows hard
Yes, and it wants me to discard the humanity I know
Watch the warmth blow away

Do you think I should adhere to that pressing new frontier?
And leave in my wake a trail of fear?
Or should I hold my head up high
And throw a wrench and spokes by
Leaving the air behind me clear?

Don't let the world bring you down
Not everyone here is that fucked up and cold
Remember why you came
And while you're alive
Experience the warmth before you grow old.

(incubus)
ss

1 de janeiro de 2007

É a vida... e “a vida que se lixe!"

Não voltes a olhar-me com todo esse vazio. Não. Estou farta de tentar andar pelas tuas pegadas, de me seguir para onde me levas. Sabes… É ano novo, uma onda poderosa apagou as tuas pegadas e agora eu vou comandar, escolher. Vou pisar com toda a força a areia lisa e molhada que essa onda deixou e vou desenhar eu própria a trajectória: rumo à Lua. Vou saltitar e deixar marcas. Vou escrever-me na areia. Cansei-me dos meios sorrisos, das meias palavras. Quero tudo e por inteiro. Não vou querer mais o que tu quiseres. E que me importa que venha outra onda e apague tudo? Não me importa. Terei em mim a capacidade de te desenhar de novo, a cada instante. Sei-te de cor. Estou imune às flechas que me cravas com (a falta d)esse teu olhar, mas quero sentir novamente o ardor do metal. Quero outra vez aquela dor aguda que me fazia sentir tão viva, tão tua. Aprendi a segurar as lágrimas que ameaçam inundar o horizonte na tua ausência, agora quero desaprende-lo. Esperançar-me e desesperançar-me com a mesma convicção. Sentir o sangue quente a fluir por todo o corpo e não lutar para o arrefecer. Tenho medo, confesso. Morro de medo. Fico insegura… as vezes mal me aguento nas minhas próprias pernas. Não me compreendo, não te compreendo. Desoriento-me. Flutuo alto de mais para que não tem uma rede que a ampare do abismo da verdade. Ilusão? As vezes perco-me de mim, iludo-me, mas nunca te perco de mim. Nunca. Por vezes escondo-te, minto-me, mas nunca te esqueço. Suprimo-me, mas mantenho-te, sempre. Teimosamente. Por carolice?
Por amor.
Mas a minha vida não vai parar, nunca. Não! Não preciso de ti. Não preciso mesmo! És uma desilusão quando comparado com o que sinto por ti. Não és a minha vida… és “só” o meu amor: egoísta. Só meu.

“…Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
(Miguel Esteves Cardoso)
SS

14 de dezembro de 2006

Dois meses...

Quinta-feira. Estou no caminho de regresso a casa mais cedo do que seria normal numa semana de aulas. Os pais estranham, o irmão percebe.
É dia 14!
Dois meses…
Dois meses passaram desde que o ser que mais me amou na vida, morreu! Acho que ninguém compreende exactamente o que é amar um animal, mas que eu amei também a minha cadela com cada pedacinho meu capaz de o fazer, amei!!
Mentiria se não admitisse que é, sem margem para dúvida, a perda mais dolorosa de toda a minha existência. E não, não me digam que devia estar preparada, porque não há preparação possível para a morte de quem mais se ama. Não há frase ou pensamento que pudesse atenuar a visão do animal prostrado, de olhos semiabertos e fundos. Não há abraço que faça esquecer o toque do corpo frio e parado. Não há! Não há nada que nos possa preparar para o vazio, o nada, que é a morte.
Nessa noite, há 2 meses, abracei-a com toda a força pela última vez. Como pode alguém estar preparado para o último abraço?
Era uma cadela velha, doente e cansada. Ainda assim esperou até onde lhe foi permitido e morreu num sábado…
Esperou por mim, como me tinha prometido!!!
E eu pude coser um pano branco em seu redor como sempre pensei que faria… e por cada ponto que dei repeti que a amava e relembrei a nossa vida conjunta:
16 anos!!
16 anos de aventuras, momentos, angústias, ternura e compreensão. 16 anos de uma amizade mais forte do qualquer outra, 16 anos de uma confiança total. 16 anos de puro amor!
Dois meses…
Dois meses em que cada manhã dá lugar a uma lágrima travada ao olhar a sua fotografia, que sou incapaz de retirar de qualquer um dos meus dois quartos.
Dois meses em que não houve sequer uma noite em que não a tenha recordado por entre lágrimas e soluços apertados para que ninguém oiça.
Dois meses recheados de momentos (tão desejados), mas que não pude saborear na totalidade, porque esta tristeza intrínseca me seca o coração.
Não me quero dar a essa tristeza e luto, luto todos os dias para sair do quarto com um sorriso e um bom dia “suculento” pronto para ser desejado. Mas é difícil…. É tão difícil esconder de todos que ainda não consigo acreditar que a minha “Fofa” já não me espera, todos os fins-de-semana.
Dois meses…
Dois meses desde que coloquei o primeiro pedaço de terra que cobriu todo o seu corpo aconchegado na mortalha que lhe fiz. Desde então o jardim passou a ter um local mais especial, que gosto de olhar sempre que chego depois de cada semana.
O que mais custa são as saudades do toque do pêlo macio; as saudades de entrelaçar as suas orelhas por entre os meus dedos e de as sentir quentes. Que saudades do seu nariz molhado a encostar-se ao meu!! Saudades do seu olhar de mimo e de ternura que me enchia a alma como nenhum outro. Saudades de tudo nela… saudades dela.
Saudades que não consigo afastar, porque não há como lembrar um toque macio ou um nariz frio. Não o sei fazer. Lembro-me sim de como tudo nela me fazia feliz e como não o tenho conseguido ser, desde que partiu.
Dois meses…
Dois meses depois de lhe dizer “Adeus”, plantei uma arvorezinha que dará flores na Primavera. Com pétalas brancas, como eu adoro! Uma planta que utilizará nos seus ramos as moléculas de que era feita. Não terá o seu brilho é certo, mas terá vida!
Vou recorda-la até que estas lágrimas se cansem de cair… E, a partir desse dia, Fofa será “só” a melhor memória que alguma vez terei guardado!

Dois meses…
Dois meses sem escrever.
Estes são os primeiros dois meses “do resto da minha vida” como me fizeram ver…
Mas ainda não aprendi a viver sem ela, a minha querida cadela!

ss

5 de outubro de 2006

'Case you...

Três da manha. Coimbra. Amigos!! E tudo volta à cor maravilhosa que tinha no primeiro ano: o cheiro da terra molhada, a cerveja derramada pelos caminhos. As passadas desajeitadas que se deixam ver por debaixo da capa justa ao corpo.
Gente pelas ruas, alegria, excitação... felicidade?
E tu, aqui! Na minha mente…

“You want to stay with me in the morning
You only hold me when I sleep,
I was meant to tread the water
Now I've gotten in too deep,
For every piece of me that wants you
Another piece backs away.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.

You already waited up for hours
Just to spend a little time alone with me,
And I can say I've never bought you flowers
I can't work out what the mean,
I never thought that I'd love someone,
That was someone else's dream.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause someday I might call you from my heart,
But it might me a second too late,
And the words I could never say
Gonna come out anyway.

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,

'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.

Know my heart, know my heart, know my heart”
(James Morrison)
SS

29 de setembro de 2006

Falta-me aqui uma estrela...

Vincent Van Gogh
Sabes onde encontra-la?

ss

 
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