1 de março de 2006
20 de fevereiro de 2006
O meu dia dos namorados
Foi por essa cor: a cor das lembranças, dos ideais… dos sonhos… que me levantei cedo nesse dia. Na noite anterior, enquanto adormecia, pude ver o teu sorriso e quase senti a tua mão enrugada a demorar-se no meu cabelo. Foi a forma que a minha outra metade (inconsciente) encontrou para me dizer que tinha de te visitar.
Pouco passava das 9 quando cheguei à estação de São Bento. Devia ter seguido para Campanha, mas essa estação já me é demasiado familiar: hoje queria que o meu dia fosse diferente. Com muita calma fui caminhando para a bilheteira, apreciando cada um dos milhares de azulejos:
- Bom dia! Queria um bilhete para Valadares.
Não sei exactamente porquê, mas gosto muito da palavra “Valadares”, é aberta, alegre! Acho que pronuncia-la provoca um esgar de sorriso até nos lábios mais tristes… Valadares! Soa mesmo bem.
A viagem foi feita por um caminho cansado de ser percorrido… por mim. Mas hoje absorvi a paisagem de uma forma diferente… menos cansada (não tive de correr para apanhar o comboio, e se o tivesse perdido, provavelmente não me teria preocupado, pois hoje o meu dia não tinha horas… tinha momentos que eu desejava ardentemente saborear).
Chegada a Valadares, reparei que nos canteiros da estação todas as flores estavam murchas. Dantes havia pequenos jardins bem desenhados e cheios de flores coloridas durante todo o ano… Lembro-me até que havia girassóis (uma vez roubei um… o que me custou uma reprimenda de uma dolorosa meia hora). O edifício da estação está cuidado, pintado de novo num branco ainda imaculado. O relógio antigo, que eu adorava ver mover-se, lá continuava a galgar os segundos e a cruzar os minutos de cada hora. Em criança lembro-me de achar que aquele relógio andava demasiado de pressa…
- Não deve estar bom – pensava sempre.
À medida que crescemos o tempo parece fugir-nos e os dias nunca chegam para fazer o que planeamos… Mas olhando para o mesmo relógio, hoje ele parece-me igualmente saltitante e move-se da mesma forma impiedosa… as vezes é bom saber que há coisas que nunca mudam.
Deambulei pelas ruas da Vila bebendo cada mudança. As grandes amoreiras que havia nas escolas primárias já não mais erguiam os seus longos e altos ramos. As escolas também já só existiam na minha memória. Ocorreu-me que também os bichos-da-seda que habitavam por lá já tivessem sucumbido à pressão imobiliária. Continuando pela mesma rua encontro o largo da igreja com o seu coreto bem conservado. As velhas tílias estendem os seus ramos totalmente despidos esperando pela Primavera para se voltar a exibir de verde.
Entro no recinto da igreja. Não gosto de templos, parecem-se sempre lugares desconfortáveis, frios! Talvez porque são lugares de um culto em que não acredito… para mim estão cheios de sentimentos que não me preenchem, e por isso fazem-me sentir gelada!! Contorno o edifício sem sequer o olhar. Enquanto vou serpenteando pelos caminhos estreitos de cimento, prendo o olhar no céu: é o único refúgio possível, porque tudo o resto são flores, velas… e caras de pessoas que já não existem. Também não gosto de cemitérios (quem gostará!?)… Não pelo medo de uma alma penada, ou de um espírito traquina… Não gosto pelo significado: a morte! O fim! É tão triste quando não há mais nada, quando não há mais dias, mais sorrisos, mais lágrimas, quando não há mais oportunidades de mudar, de repetir, de aprender e de ensinar… quando não há mais vida! É um vazio e é aterrador!
Sem dar conta já cheguei à tua campa, acho que as minhas pernas já estão programadas para funcionar sem o comando dos meus pensamentos, que se perdem sempre pelo vazio deste lugar tão feio.
Não te trouxe flores (desta vez cumpri o prometido), trouxe só saudades… muitas saudades das histórias que me contavas, dos ditados que repetias milhares de vezes. Saudades da mulher cheia de força que eras… Saudades dos momentos que vivemos juntas.
Sento-me na ponta do mármore branco do jazigo. Tem um veio castanho claro muito bonito e lembro-me que foi por isso que fiz pressão para que o escolhessem. Pouso a mão na pedra fria e, levemente, percorro-a de uma lado ao outro. Sei bem que não podes sentir o carinho que transmito para a pedra… mas continuo assim mesmo. Hoje a minha “visita” tem um sentido especial… Quero conversar contigo, contar-te segredos… sonhos, rever memórias contigo… memórias que me enchem mesmo nos dias mais tristes e que me fazem ter orgulho em mim, mesmo naqueles momentos em que me sinto falhada.
Era dia 24 de Dezembro, em casa sentia-se a azáfama do Natal… Chegamos cheios de sacos com presentes e cada um ia olhando para o volume dos embrulhos, tentado imaginar o que estaria por baixo do papel em tons de vermelho. Não sei bem a razão, mas acho que toda a gente almeja por um presente gigantesco com um grande laço a condizer. Eu mesma sonho com um embrulho tão grande que não o pudesse carregar sozinha… Mas nesse Natal sabíamos que ia ser diferente. Na cabeceira da mesa faltava-nos a referência da família… a matriarca que era um exemplo para todos… sem excepção. No ano anterior tínhamos arranjado uma solução engenhosa de te transportar para a mesa. Sentamos-te no teu cadeirão vermelho e os dois desceram as escadas pelas mãos dos homens da casa. Nunca te pude dizer, mas adorava, e adoro, o carinho que tinhas por todos eles. Só tiveste filhas… E só tiveste netas. Por isso acho que fizeste desses homens os teus filhos e os teus netos.
Recordo-me de ter subido as escadas com alguma relutância… custa-me tanto ver-te assim, prostrada numa cama, sempre com os olhos semi-cerrados. Mas enchi-me de força e subi… pousando os dois pés em cada degrau… demorando-me. Quando entrei no teu quarto tinha um nó apertado na garganta. Pousei a minha mão gelada sobre a tua e disse-te um “Olá vó!” com todo o amor que tinha. Estremeceste… e abriste os olhos. Abriste muito! Pude vê-los bem enquanto olhavam os meus. Apertaste a minha mão com força e disseste “Sílvia, minha netinha” com aquele sorriso aberto que tanto te caracterizava. Nunca me esqueço desse sorriso, nunca. Pela sua beleza, pelo seu sentimento, e pelo orgulho imenso com que me encheu. Há, mais de dois meses que tinhas deixado de reconhecer as pessoas. A medicação contra as dores deixava-te num estado suspenso, difuso. Apertei ainda mais a tua mão e beije-te a face. Ficaste agitada e voltaste de novo às palavras sem sentido, os olhos fecharam-se e pude ver duas lágrimas a percorrer a tua face até se precipitarem na almofada.
Quando desci as escadas para voltar à sala, sentia-me a flutuar… Sentia-me abençoada pelo sorriso mais bonito da pessoa mais bonita que conheci. Esse Natal foi silencioso. Não te ouvíamos a refilar. Aquelas horas entre o jantar e a meia-noite foram dolorosas, porque, pela primeira vez não as passamos todos juntos. Cada um dispersou para um local diferente. Alguns viam TV, outros liam revistas. Havia um ou outro ponto de conversa, mas não se sentia A Família como dantes. Ficamos perdidos: ninguém jogou ao bingo porque eras sempre tu a tirar as peças daquele saco vermelho… Não houve brincadeiras com as “rodelinhas” vermelhas que serviam para marcar os números de cada cartão… o avô não colou uma das fichas na testa e não pronunciou sons estranhos a imitar um indiano… Ninguém roubou, sorrateiramente, nenhuma moeda do envelope do vizinho. Ninguém gritou Bingo!! logo ao primeiro número. Ninguém ganhou! À meia-noite não estávamos todos na mesma sala, não houve gritinhos histéricos de felicidade. Reinava uma tristeza profunda pelo primeiro ano sem a tua alegria, o teu sorriso.
No dia 25 não subi as escadas para te ver… custava-me sempre tanto ver-te assim parada. Odiei-me por não conseguir que as minhas pernas se movessem… Nem depois do jantar, quando todos subiram para se despedir. Não subi. Durante o caminho para casa, enquanto olhava as luzes reflectidas no alcatrão molhado, arrependi-me muito de não te ter tocado novamente, de não te ter beijado a face, de não te ter dito que te amava. Deitei-me com os olhos vermelhos de lágrimas que não chorei. Dormi, dormi, dormi… até o telefone ter tocado no dia seguinte…
Dia 26 de Dezembro… Não é só o dia em que um terramoto destruiu meio Irão, em que um Tsunami arrasou meia Ásia… É o dia em que metade de mim se derreteu em lágrimas, em lembranças, em vazio.
Hoje, dia dos namorados, lembro-me de ti: pelo vermelho e pela lição de vida que me deste: nunca me falavas de amor, nunca me falaste de paixão. Falavas só dos sonhos que comandavam a tua vida, da coragem, e da força que é preciso para os perseguir… e da felicidade que é alcança-los. Falavas-me da amizade e do dever de fazer sempre o certo, sempre! Mesmo que doa muito: “Nunca faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Falavas-me de como precisamos dos amigos e de como é difícil tê-los sempre por perto. Falavas-me do perdão e do amor incondicional que devemos ter pelas pessoas de quem gostamos… pela família. E que bonita família construíste vó… sozinha! Que orgulho.
Olhando para a tua lápide, hoje compreendo na totalidade uma das frases que tantas vezes repetias:
O passado não foi feito para voltarmos atrás, foi feito para nos apoiarmos quando queremos dar um passo em frente...
E tu és o meu grande apoio: o pilar que vai sempre suportar a minha ponte e que nunca me deixará cair no vazio.
Hoje dei mais um passo em frente.
ss
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12 de fevereiro de 2006
6 de fevereiro de 2006
Promete!
Promete!
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3 de fevereiro de 2006
Girassol
Acordei sobressaltada pelo meu telemóvel novo (leva tempo até nos habituarmos a novos sons…)
- “Tou… querida? Já chegamos!!”.
Ainda perdida entre aquela linha breve que separa o sonho e a realidade pensei no poder gigantesco que uma só letra pode ter: É que entre o sono e sonho é que tu estás… distante, quase inatingível… perdido pelos quilómetros da distância nos separa. Não te sei sonhar acordada. Não te vejo, não te sinto, quase nem te conheço… mas quero-te muito!
Quando vens acordar-me?
ss
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29 de janeiro de 2006
Fotografia
Depois veio o abraço apertado que amparou a saudade. O abraço de sempre, a amiga de sempre...
ss
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20 de janeiro de 2006
Feliz Aniversário!
Hoje, comemorando estes dois anos de partilha, gostaria de descrever um dos momentos que me fez criar o “Anti gravidade”:
Ainda não era tarde… mas já passava da hora a que nos costumávamos deitar. Não me recordo do encadear dos momentos, mas lembro-me de estar numa varanda pequena e cheia de neve. A roupa que eu trazia vestida não era suficiente e lembro-me do esforço que tive de fazer para que não percebesses que todos meus músculos se retorciam de frio. Não queria sair dali!! Estava uma noite muito bonita, já não nevava desde a tarde e podia observar-se uma imensidão de estrelas… Lembro-me de te apontar a Ursa Maior, que na ponta tem a estrela polar (“aquela que brilhava um brilho cintilante e que não parava de pulsar... ”). Lembro-me de te tentar mostrar a Cassiopeia, sem grande sucesso… e de te ter contado a história trágica dessa rainha condenada a um trono invertido. Olhávamos os dois para todos aqueles pontos cintilantes que eu ia apontando com o indicador, mas pensávamos coisas diferentes, radicalmente diferentes.
Quando o frio nos venceu, voltamos para o interior do Hotel. Vejo-nos sentados no sofá amarelo com um padrão de flores verdes que se estendiam em riscas verticais. Tu estavas virado para a frente, com os dois pés apoiados no chão… Eu tinha as pernas encolhidas e os joelhos apoiados no sofá. Estava virada para ti.
Quase nem falei… Odiei-me tanto por não conseguir responder a muitas das questões que nos ias colocando. Tantas vezes tinha sonhado com este momento e agora que ele acontecia estava bloqueada… paralisada pela tua forma de dizer e viver as situações. Na altura a nossa conversa pareceu-me antes um monólogo. Hoje vejo-a antes como uma aula. Falavas-me do núcleo, do cerne. Acho que foi nessa noite que tive noção das razões que me faziam adorar-te tanto. E quando digo adorar, falo num sentido de admiração e não de amor ou paixão... Puro deslumbramento!! Eras tão diferente de qualquer outra pessoa que tivesse conhecido. Tão profundamente intrigante… cada minuto que ia passando contigo provocava-me uma imensa fome de ti, uma fome desses teus pensamentos que ias exprimindo também com as mãos. Foi aí, enquanto conversávamos sobre o “cerne” (que com a potência máxima faz girar o pouco que resta de uma partícula morta pelo vazio de energia que existe entre nós… como um dia escreveste) que me deste uma pequena lição de vida. Guardei-a meticulosamente e sigo-a como se fosse a minha religião.
Sílvinha, tens de pensar na tua vida como um caminho que precisas percorrer. Tu sabes onde queres ir, não sabes? Sabes que o teu objectivo é chegar aquele quadro. O caminho que vais fazer até ele depende muito de ti, mas tu sabes que o vais percorrer. Se puderes levar alguém contigo, será mais agradável. Ocasionalmente poderás parar e partilhar um pouco desse caminho difícil que precisas fazer para chegar até aquela pintura. Mas se fores sozinha, conversarás menos talvez, mas não perderás a convicção de que tens de lá chegar. E quando chegares… Bem, se fores acompanhada poderás comentar a moldura, quem sabe a técnica do pintor! Poderás ouvir uma opinião diferente do que o autor pretendia representar naquelas formas. Mas se fores sozinha, também poderás apreciar o quadro, também verás as cores, as formas, e também terás uma teoria sobre o seu significado…
Sílvinha, sabes o teu caminho, se o vais percorrer sozinha ou acompanhada é secundário e, não dará mais ou menos significado à tua conquista.
Talvez já nem penses desta forma… mas nem imaginas a importância que as tuas palavras tiveram e ainda têm na minha forma de estar e de ver este longo percurso que é viver. Obrigado!!
ss
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17 de janeiro de 2006
O ano passado... (parteII)
Enquanto me perdia nestas doces (talvez mais salgadas…) memórias, já era altura de mudar de linha. Acompanhada por uma pequena multidão de desconhecidos mudo para a linha vermelha. Chegam as carruagens. Escolho um lugar junto a uma janela. Nos minutos seguintes fico a observar cada uma das pessoas que entra e sai do metropolitano. Ao fim de mais de dois anos em Coimbra, estas cidades grandes parecem-me frias, quase insensíveis… Não há caras conhecidas, nem sorrisos. As pessoas parecem todas cinzentas e cansadas de mais um dia triste de uma vida sem grande sentido. Quando que se ouviu “ Estação do Oriente” já me tinha levantado e esperava ansiosamente que a porta se abrisse. Comecei então uma espécie de “contra-relógio” desenfreado por entre pessoas indiferentes, barracas de artesanato, famílias consumistas e enfeites de Natal… subi e desci longas escadarias até que, finalmente, cheguei. Pela quarta ou quinta vez nesse dia, suspirei de alívio. Quando entreguei o bilhete ao segurança a minha respiração estava tão alterada que quase nem consegui responder quando este me perguntou se tinha alguma coisa nos bolsos. Acenei que não e, aparentemente, ele confiou. Com a mesma pressa desci os dois lanços de escadas que me permitiam chegar a esse grande recinto.
Quando pude rever todo aquele pavilhão, já totalmente cheio de gente, senti uma gigantesca nostalgia de outros concertos. Senti a tua falta… e enquanto me encostava a uma parede, tentando regularizar (mais uma vez) a respiração, “abracei” o teu casaco. Não te pude trazer, mas trouxe mais um pedacinho de ti (sim, porque tenho outro pedaço teu… enorme, tremendo, imenso, sempre no meu coração). Semicerrei os olhos e relembrei uma dessas noites:
O concerto abriu com "Politik". Depois, ainda sentado ao piano, Chris Martin agarra o microfone e diz algo como “Isto é increivele! Estemos muiito felisses de esstar aqui”. Cada música era um transbordar de imagens de dias vividos com a toda a alma. Recordo a “Don’t panick” … ainda hoje sou capaz de me lembrar do som que o Jonny tirava da harmónica. Outros sons, outras paragens… outras “flutuações”. As luzes apagaram-se… Ouve-se um “temoss que ir”… seguido de um “maybe... we don't have to 'temos que ir'”. Aplausos, muitos aplausos e um feixe verde que era interrompido pelos dedos, enormes, do Chris ao som da ”Clocks”. E quando se pensava que era o fim… ele volta, sozinho, para “Amsterdam”… se há momentos que são verdadeiramente inesquecíveis, este é um deles!!
Quando caio em mim, apercebo-me que já são quase 9 horas e que ainda preciso chegar até aos meus companheiros. Inicio uma viagem longa por entre fãs impacientes… de inicio consigo passar com alguma facilidade, distribuindo “desculpe” e “com licenca” a cada dois segundos. Mas a viagem começa a tornar-se mais lenta e as caras já não me recebem com sorrisos. Encontro uma parede humana de olhos fixos no palco... A situação piora a cada centímetro que tento avançar… e a minha pouca altura não me permite ver onde os meus amigos estão.
“Mesmo no centro do palco, segue pelo centro...”- vão-me gritando pelo telemóvel.
Luto contra a gravidade, dando pequenos saltinhos, para tentar vislumbrar as quatro mãos que eles elevavam no ar. Dado o insucesso desse meu esforço decido pedir ajuda a um grupo de pessoas com um ar bem simpático:
- “Por acaso estão a ver algumas mãos a abanar-se aí pela frente”?
Sorriem-me e dizem que sim... indicam-me a direcção. Mais uma vez devo ter feito uma cara tão estúpida que um deles se apressou a perguntar:
- “Queres que pegue em ti para perceberes melhor a direcção?”
E estavam tão longe… já tinha sofrido tantos apertões, tantas caras feias… e ainda havia tantas cabeças a separar-nos.
-“Ai… não consigo! Desisto! Não dá”- balbuciei enquanto me pousavam de novo no solo.
Então, um dos rapazes colocou as suas mãos sobre os meus ombros e disse-me:
-“Hey? Se já vieste até aqui, não vais desistir agora. Já falta pouco.... Anda lá!”.
Não resisti e dei-lhe um abraço, um abraço apertado de cumplicidade de quem sabia que aquela noite era para ser partilhada.
Por entre estes abraços e muitos, muitos agradecimentos já estava eu, de novo, a tentar quebrar essa barreira de corpos quentes e ansiosos…
- “Bom concerto” – ainda ouvi gritar!!
A cada metro que me movia, mais difícil parecia a tarefa de os alcançar. Mas lá fui avançando, determinada, até conseguir ver as tuas mãozinhas a acenar freneticamente.
Quando te vi, de costas, uma felicidade imensa preencheu todo o meu ser. Uma inexplicável sensação de concretização encheu-me de força para gritar por ti:
- “Joooããããõooooooo”.
Viraste-te e quando os teus olhos se alinharam com os meus, pude ver-te um sorriso lindo, e tão feliz como o meu! Gritando o meu nome, estendeste-me a mão... Não sei quanto tempo demorei até a conseguir tocar, mas quando os nossos dedos se sentiram as luzes apagaram-se. Tive o teu abraço, já no escuro, envolvido na euforia de um público em delírio com a noite que se esperava. Essa foi a última vez que suspirei de alívio...
Foi já enquanto subia a escadaria branca, que me leva para a tua casa, que me ocorreu que este dia representava, muito bem, o ano que terminava: horas imensas de uma agonia interminável, de uma tristeza quase aguda, de uma profunda prostração… para pouco mais de 3 horas de uma imensa felicidade. Traduzindo… este ano tive de penar longos dias desertos de sentido e sentimento para poder, em alguns momentos, ser absolutamente feliz. E valeu a pena? Valeu!! Não pude ainda deixar de pensar como as duas pessoas mais importantes desse meu dia, tinham sido, também, as mais importantes deste meu 2005.
ss
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6 de janeiro de 2006
O ano passado... (parte I)
Hoje é Coldplay!!
Nas aulas seguintes o resultado não foi muito melhor… À hora de almoço corro para casa pois tenho ainda a mala por fazer. À entrada do meu prédio, enquanto procurava a chave para poder abrir a porta, deixo cair o enorme maço de fotocópias que tinha transportado, tão cuidadosamente até aí. Estamos agora perante um cenário surreal de folhas a voar por todo o lado ao som dos meus gritinhos e pedidos de ajuda. Enfim… ao entrar em casa tenho um enorme monte de folhas sujas e desorganizadas. Terminada a mala tento ainda organizar algumas fotocópias, mas a excitação cresce e já não consigo distinguir os acetatos de Neurobiologia dos de Ecologia… parecem-me todos iguais: rectângulos (dois por folha) cheios de esquemas cujo único intuito é a possibilidade de me fazerem perder o “29” (qualquer dia farei uma dissertação sobre essa bela carreira de autocarro; hoje já estou demasiado atrasada!). Decido por fim deixar tudo assim mesmo, bem no meio da minha cama. Corro de novo para o elevador, que me parece demorar uma eternidade a chegar ao 6º andar… ainda há tempo para os últimos retoques no penteado e, como sempre, para colocar os brincos e o relógio. Ao abrir a porta de saída vejo que o autocarro já se aproxima… Lanço-me numa corrida louca, cheia de obstáculos como vários lanços de escadas acabadas de lavar e o transporte de uma mala que pesa mais do que eu e que decide “aqua-planar”… Ai esta luta desigual que eu tenho com a minha mala… (este é so mais um defeito da gravidade!!)
Suspirei de alivio quando, finalmente, me consegui sentar no autocarro! Esta, pensava eu, era a pior parte… porque o “29” é, a cada dia, uma aventura! Chegada à estação rodoviária deparo-me com uma fila de umas 30 pessoas… e já só faltam 5 minutos para o meu expresso. Durante alguns segundos ocorre-me a possibilidade de perder o expresso e o pânico que me assola é tal que avanço decidida para a pessoa que está mais próxima da bilheteira.
- “Desculpe, importa-se de me deixar comprar o bilhete primeiro? É que o meu expresso parte daqui a 4 minutos.”
Simpaticamente a senhora diz-me que sim, que se importa porque….. (não valerá a pena referir aqui as suas razões). Mas, como nem todas as pessoas são #$%@&7!, um rapaz que está na fila pisca-me o olho e diz que me compra o bilhete.
- Vais ver Coldplay?
Devo ter tido uma expressão tão parva que ele logo se apressou a explicar que tinha reparado na edição especial da Blitz que eu trazia na mão. Deixei-lhe o dinheiro e o meu “cartão-jovem” para que me comprasse o bilhete, e fui pedir ao motorista que, por tudo que era mais sagrado, não se fosse embora sem mim! Só respirei de alívio (novamente) quando o expresso se começou a movimentar e vi a “Cabra” a ficar cada vez mais longe, até a perder completamente de vista!
Acompanhada pelas “minhas músicas” fui lendo paisagens longínquas de uma volta ao mundo muito especial. Só me dou conta de estar em Lisboa quando o motorista avisa, pelo microfone, que vai parar no aeroporto. A paragem é muito curta, só um dos passageiros é que sai. Em menos de 5 minutos o expresso está de novo em movimento, mas para logo a seguir parar. O motor é desligado e vejo o motorista a sair. Como estava nos lugares do fundo não me apercebo de imediato do que se passa… Até que me encosto à janela e vejo: uma operação STOP! Os minutos foram passando, tão lentamente que a mim pareciam arrastar-se. Pude ver cada mudança nos números vermelhos do relógio digital do autocarro. Só às 19:49, exactamente 43 minutos depois de termos chegado ao aeroporto, é que o expresso voltou a mover-se. A esta altura já tinha roído todas as unhas que me foram possíveis… e como se 43 minutos de atraso não fossem suficientes, o transito da capital tratou de aumentar esse atraso para 1 hora e 13 minutos.
“Não ta fácil”- vou pensando para mim, enquanto vou correndo, ou melhor arrastando-me, com a minha mala para a estação de metro. Para facilitar um pouco mais a minha viagem, o metro estava absolutamente lotado e conseguir entrar numa carruagem (eu e a minha querida mala) foi uma aventura! Troco de linha e finalmente chego ao meu destino. Saio (eu e a minha mala, claro), ao som de “time goes by… so slowlly”. Inevitavelmente acabo por sorrir, porque a ideia de que alguém partilha comigo a dificuldade que foi este dia é muito reconfortante! Devaneios de fome, acho!!
Percorro os caminhos que num quente dia deste Verão estavam apinhados de gente. As letras verdes “ALVALÁXIA” trazem uma sensação de “feels like home” que não sei explicar, mas que me enche de força para arrastar a mala, mais alguns metros… Aqui estou: número 4… 1º esquerdo! Do outro lado soa uma voz familiar!!!
Abre-se a porta. Vem aquele sorriso, aquele abraço. Em 5 minutos vou contando todas as peripécias que assolaram esta, tão esperada, quarta-feira. Troco de roupa (sem me calar, obviamente). Uff… em tempo recorde já estamos as duas a descer a escadaria branca que me leva novamente à estação. O meu metro não demora muito a chegar. Abraço-te mais uma vez… pi, pi…e entro mesmo antes do último piiiii! Ficas a acenar-me até nos perdermos de vista.
ss
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14 de dezembro de 2005
Minha querida:
Pego no meu cadernito, desço as escadas e vou sentar-me ao teu lado. Desajeitada acabo por te acordar. Elevas os olhos para ver quem acaba de chegar. Levantas-te e ficas parada sobre as tuas patinhas traseiras. Pouso o caderno e ponho as duas mãos em volta do teu focinho. Tens os olhos mais ternos que já senti. Perlongo-me na tua face… percorro depois todo o teu corpo, agora tão magro. Estás tremula, fria.
Para me recordar dos velhos tempos abro as pernas e dou duas pancadinhas numa delas. Sinto-te a desdobrar, tropegamente, as patinhas traseiras e dando duas, talvez três voltas sobre ti própria, acabas por te prostrar bem juntinho a mim. A tua cabecinha fica pousada na minha perna direita e o teu corpo estendido entre as minhas pernas. Afago-te as orelhas enquanto te vou dizendo palavras doces. Sei que não as entendes, mas acho que percebes quando te falo com carinho. Não consegues compreender o significado das minhas palavras mas podes senti-las! Vais ficando mais tranquila, sinto a tua respiração a acalmar e a tosse já não é, agora, tão frequente. Também sinto que ficas mais quente.
Uma vez li que os cães não dormem verdadeiramente; nunca atingem estados de profunda tranquilidade o que, supõem-se, não permite ao seu cérebro desenvolver-se mais. Mas tu estás a dormir. Profundamente! Ouço as tua respiração acompanhada de outros sons… acho que ressonas! Sorrio e fico a lembrar-me de todas as vezes que, como hoje, te deixaste adormecer, comigo. Só comigo.
Já vivemos tantas aventuras juntas. Relembro cada uma das vezes que fomos ao Gerês: quando chegávamos à parte mais difícil do trajecto, aquela que serpenteava a montanha, ela ficava com a boca semiaberta e com o corpo mole. Quando encostava o nariz frio à minha face já a adivinhava.
- Tenho sede!
Vou à mala do carro e tiro a garrafa de água que tem no rótulo o seu nome. Nunca me esqueço dela! Tem um bocal mais fino e vai lançando água em pequenas lufadas que ela consegue beber. Quando fica satisfeita afasta-se e corre para o carro, instalando-te, confortavelmente no seu lugar. Passa o resto da viagem sentadinha e com o focinho meio de fora. Adoro vê-la assim! As orelhas abanam freneticamente com o deslocamento do ar e sente-se nela um prazer enorme pelos novos cheiros que vai detectando.
Enquanto era ainda um bebezinho foi, uma vez, connosco até uma pequena praia fluvial do rio Douro. Nesse local o rio é estreito e facilmente atravessável. Sempre que iniciávamos uma viagem ela vinha, atrapalhada, atrás de nós! A meio da viagem acabava sempre por ser preciso transporta-la. Recordo-me de me virar de costas e de a pousar na minha barriga enquanto nadava lentamente para não a deixar cair! Quando me aproximava da margem eleva-a num dos braços e enquanto me propulsionava com as pernas usava o outro braço para manter a cabeça à superfície. Ela ia estranhamente calma, confiante! Como se tivesse a certeza de que eu nunca a largaria.
Recordo também, numa dessas viagens em família, quando o meu irmão decidiu fingir que se afogava. Ela estava na margem, deitadinha na toalha que eu lhe tinha estendido... Quando ouviu os gritinhos dele e o som das mãos a chapinharem na água voou para o rio e nadou com uma energia que nunca lhe tinha visto. Quando chegou ao meu irmão cravou-lhe os dentes num braço puxando-o para a superfície. Absolutamente impressionante!! O meu irmão não se apercebendo bem do que se passava lutava para se libertar, mas ela agarrava-o ainda com mais força. Com a minha ajuda viemos os três para a margem. Ela lançou-se então ao meu irmão lambendo-lhe toda a cara… e os braços. Só nesse momento percebemos o que se tinha passado e prometemos nunca mais brincar com assuntos sérios.
Relembro as doenças, os dias maus. Perco a conta às horas tão longas que passamos, sempre juntas, no veterinário; aos pontos que todos os dias desinfectava, até que os pudesse retirar. Os comprimidos que, com paciência, te fazia engolir; a comida que, muitas vezes, tive de te dar à boca; as sessões intensas de fisioterapia que tantas lágrimas provocavam, às duas… Todos estes são momentos que guardo, meticulosamente, na memória.
Acordas.
Por entre murmúrios incompreensíveis levantas-te e encaras-me. Os teus olhos tocam profundamente nos meus e ficamos assim, como que a decorar-nos. Há quase três anos que só temos o fim de semana para partilhar e desde então passamos muito mais tempo a sentirmo-nos...
Fazes-me tanta falta!! És a minha companheira dos dias tristes. Quando éramos as duas mais novas, costumava correr para ti cheia de lágrimas. Conversava contigo: fazia mil e uma perguntas… propunha mil e uma respostas. Não me ajudavas com palpites ou concelhos, mas olhavas-me cheia de ternura e, muitas vezes, lambias as minhas lágrimas. Colocavas o teu focinho húmido na minha testa e ganias ao som dos meus soluços, como que a tentar dizer-me que partilhavas a minha dor. Eu adorava ficar ai, no teu colo, como costumava dizer-te. Abraçava-te com força e sentia o teu coração a bater até que as nossas respirações se alinhavam.
Hoje, já é tarde na noite mas vim-te acordar porque estou cheia de tristeza. Corre-me nas veias uma sensação de revolta que me faz mal, que me torna vazia e rude… seca! Cada vez é mais difícil observar-te o olhar… Está a ficar mais pálido, embranquecido com as cataratas que não permitem que eu possa ver o brilho que dantes tinha. Percorro o teu focinho com o meu dedo... Deste a ponta fria, atravessando os olhos até atingir o topo da cabeça. Agora já não piscas os olhos. Os teus reflexos estão lentos e já me conheces os hábitos… sabes que não te vou ferir. Encostas a cabeça ao meu peito e agarro-te com mais força. Não seguro mais as lágrimas e começo a soluçar!
A época de Natal está, para mim, associada a acontecimentos demasiado tristes que me fazem viver um natal diferente de todos as outras pessoas. Nesta época, qualquer problemazinho que me possa afectar é, por mim, agravado… tomando quase o tamanho e a força destrutiva de um tsunami.
Levantas a cabeça, e como já não fazias há muito, secas as lágrimas que me descem pela face. Primeiro encostas o focinho à minha bochecha esquerda, depois à direita, sempre com uma ternura que só encontro em ti. Olho-te mais uma vez antes de pousares a cabeça no meu ombro. Ficamos assim, longos minutos, enquanto vou reflectindo sobre meu dia… sobre as importantes decisões que havia tomado essa tarde, sobre as palavras erradas, e as acertadas.
- Sabes, minha querida… já me tinha esquecido de como é bom “falar” contigo! – digo-lhe baixinho.
São 5 da manhã… o sono começa a vir, e não lhe quero resistir. Pego nela ao colo e coloco-a na sua caminha. Cubro-a com a mantinha quentinha que lhe comprei para este natal, e enquanto lhe afago as orelhas mais uma vez, peço-lhe que não se esqueça da promessa que um dia a fiz fazer:
- Não te vais embora sem mim!!! Prometeste!
Dou-lhe um último beijo de boa noite, e penso: “és uma cadela maravilhosa”!!!
ss
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4 de dezembro de 2005
É destes momentos que somos feitos...
Saio do restaurante. Abandonado, numa pequena poça formada pela abundante chuva de Novembro, jaz um cravo. Detenho o olhar no vermelho que contrasta com todos as cores mornas de um dia triste... Cada pingo faz pequenos círculos na água que reflecte imagens retorcidas de gaivotas num fundo cinzento de nuvens.
- Toma!
Enquanto me perdia nas sensações de mais um dia pálido, levantaste o cravo do chão, e sem que eu me apercebesse, já o tinha na mão.
- Achas que a avó votaria no Soares?
Sorrimos os dois num abraço cúmplice de sabor a saudade... que não passa, que não dói! Mas que nos une na mais bonita memória que sabemos viver.
ss
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26 de novembro de 2005
Coisas Simples
"Regressamos sempre aos velhos lugares onde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltarão jamais todas as coisas que nos foram queridas. O amor é simples, e a vida devora as coisas simples."
Manuel Alegre
Percebem agora porque é que eu gosto de complicar tudo!!
ss
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20 de novembro de 2005
Takk...
“Fecha os olhos, e sente” – Ao meu lado tenho um grande amigo. Aquele que descobriu, comigo, a melhor banda do mundo, do nosso Mundo! Enrolou o braço do meu pescoço, encostou a cabeça na minha e ficamos assim, até ao fim daquela música que nos aqueceu na viagem até Estrasburgo. Recordo a nossa noite em Paris, passada entre shots de vodka, segredos… e muito, muito Agaetis Byrjúm. E o cheirinho dos nossos crepes “ô nutelá” as 5 da manhã.“Isto é lindooo” – digo-te, já com os olhos molhados pela felicidade!De repente mais uma música que eu amo, e outra e todas elas se revelam peças de arte capazes de me fazer sentir leve, tão leve que me posso elevar e voar por cima de todas aquelas pessoas, rodopiando num imaginário só meu. De olhos fechados vejo tudo azul, muito azul.

Takk… lê-se no palco!
Takk” é Obrigado, e é isso que eu sinto, uma enorme gratidão por poder viver um concerto como este!!
ss
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19 de novembro de 2005
Madrugada
Lá fora os pingos de chuva tornaram-se mais densos e o barulho característico da água a bater no vidro molda o nosso ambiente… que é completado por um “takk…” de melancolia. E agora sim, estamos prontos a flutuar numa história que ninguém sonhou. O temporal agudiza-se e agora quase que posso jurar que as folhas rodopiam ao som da nossa música, como que a acompanhar a dança do meu coração. E com a calma de quem tem minutos intermináveis vais-me contando os segredos que não revelaste a mais ninguém; vamos partilhando os sonhos de uma vida que se deseja imprevisivelmente doce e recheada de surpresas maravilhosas como esta.
A chuva foi cedendo aos primeiros raios da manha de um dia que nasceu lindo, “só para mim”, como me fizeste crer! Não tive o poder de fazer parar o relógio, mas tornei todos estes segundos eternos… inesquecíveis…
ss
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15 de outubro de 2005
8 de setembro de 2005
Fogo, Sonho & Morte à 3 Milhões anos
Os cérebros começaram a desenvolver-se… Cada indivíduo tinha agora uma consciência de si próprio, regendo-se por regras ditadas por alguém da mesma espécie. Esse alguém começou por ser o “macho dominante", escolhido por ser o mais forte, depois por ser o mais sábio, e mais recentemente por ser o mais “esperto”. Criaram-se divindades que só alguns (talvez os mais espertos…) podiam representar. Veio a linguagem, e as primeiras mentiras. A selecção natural tratou de eliminar aqueles que mais facilmente se deixavam enganar, e aqueles que não tinham grande vocação para essa arte que é a sobrevivência. Enfim… como alguns dos nossos antepassados não tiveram grande tempo para conhecer este planeta tão simpático, surgiu, num qualquer elemento do género Homo, a ideia de uma outra vida… (Como eu gostaria de conhecer esse cérebro iluminado!!). A partir daí iniciaram-se os primeiros enterramentos (há que conservar o corpinho!). Juntamente com o corpo também eram enterradas ferramentas do seu trabalho, comida e em alguns casos as suas companheiras. Por esta altura da História ainda não se conhecia a monogamia! Há também indícios de que já se sofria pelos mortos, as lágrimas já corriam pela face (um pouco mais peluda e prognata é claro) daqueles que se tinham ficado, ainda, pela primeira vida. Ora se os nossos antepassados acreditavam na existência de outras vidas, porquê chorar por um nosso companheiro que já tinha avançado para a segunda? Um pouco incoerente, não? Pensando um pouco melhor vejo que, também nos dias de hoje, há quem acredite numa outra vida… Mas ainda assim toda a gente chora um pouquinho (ou muito!) quando morre alguém de quem se gosta.
De repente surge-me a palavra Saudade… Talvez há 2,5 M. anos já se soubesse o que era saudade, já se sentia essa dor aguda de perder aqueles com quem mais gostávamos de partilhar os dias.
E agora sim, ao fim de muitas linhas chegamos onde eu queria:
É que estes anos todos de Evolução permitiram coisas tão incríveis como chorar a morte de alguém que nunca existiu, e ter saudades de um sonho que morreu.
Maldito fogo… que nos ensinou a sonhar!!
ss
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28 de agosto de 2005
Sonho de Uma Noite de Verão II
Fico longos minutos a rever todas aquelas marcas que faziam de ti a minha estrela… Decido acordar-te, noutros tempos não o faria…
- “Estas a perder a melhor parte!!”
- “O quê? O banho?!”
No meio de gritos e insultos, já estamos os dois enfiados na água.
Foi enrolados na toalha, salgados e em risco de hipotermia que tivemos a melhor conversa de sempre. Não falamos de “nós”, porque o “nós” é que estragou tudo...Cada um falou de si e ouviu a opinião do outro. (Sim… irrita-me profundamente que conheças, melhor que ninguém, a minha pior parte. Sabes que a minha determinação é totalmente falível… Conheces o meu gigantesco medo de fracassar… ) Criticaste a minha falta de coragem para lutar pelo que mais quero, só pelo terror que tenho de falhar: “Oh Sílvia, algum dia tens de decidir se queres ser uma sonhadora conformada ou uma pessoa feliz. (…) Se ao menos ouvisses alguns dos bons conselhos que me dás... (…) Sabes qual é o teu problema? Exiges demasiado… queres tudo perfeito, mas na verdade consegues viver de pequeninas migalhas. Um sorriso basta para te encher o coração e te lançar numa espera angustiante pelo próximo sinal de que o teu sonho é possível… E o que eu realmente não compreendo é como é que tu vais sobrevivendo assim… como é que, “sem nada”, acordas de manhã cheia de força para um novo dia, para uma nova espera… sempre com todo esse amor para dar!”
Inevitavelmente acabo a noite a chorar, porque no fundo sei que sou tudo aquilo que dizes e não encontro em mim força suficiente para o mudar. Enfim, agora haverá mais pessoas a conhecer a minha parte “má” o que me pode ajudar a encontrar a coragem necessária para me mudar… ou não.
Nunca tínhamos conversado sobre mim, era sempre eu a apontar-te os erros, os defeitos… Esta noite pude ver e sentir, claramente, que talvez tenhas sido o fruto do meu único momento de coragem… E que, o que eu vi como fracasso é, na verdade, um grande tesouro, que por pouco não soubemos preservar. Orgulho-me muito de ter gostado tanto de ti… Porque afinal, as estrelas, mesmo depois de mortas, continuam a brilhar… e tu hoje brilhaste mais que qualquer outra...
SS
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24 de agosto de 2005
10 de agosto de 2005
2005
“Dia 1 de Janeiro! São 8 horas em ponto. A manhã está a acabar de nascer, a luz é ainda muito leve... O silêncio é quebrado pelas ondas que ameaçam chegar a alguns dos que se ficaram pela areia da praia. O meu expresso ainda demora 30 minutos, por isso decido sentar-me um pouco. O cenário, quase bélico, é de corpos espalhados por entre destroços de garrafas e latas vazias semi-enterradas na areia. É a primeira manhã do ano. Estou sozinha, a mais de duzentos quilómetros de casa... Mentira, tenho por companhia um pequeno batalhão de gaivotas que decidiu pousar mesmo ao pé de mim... O silêncio da rebentação das ondas é agora ocupado por uma série de intercomunicações que sou incapaz de decifrar, mas que vou ouvindo deliciada... O sono invade-me e lentamente a minha imaginação voa como aquelas gaivotas. Sinto-me a flutuar, de braços abertos com a brisa gelada de Janeiro a bater-me na cara... Como se pudesse mesmo ser uma gaivota vou-me sentindo a planar em direcção àquela linha ténue que une o azul mais claro da aurora ao azul agitado do oceano... Quem dera que fosse atingível! Apercebo-me do frio da manha e ao meter as mãos no bolso do meu casaco encontro uma uva... Acho que me esqueci de pedir um desejo!! Ou alguém me concedeu um 13 desejo... Ou talvez isto seja só uma uva e qualquer outro sentido que eu lhe esteja a dar é pura falta de sono! Ainda assim, sinto-me no direito de mais um pedido. Vasculho afincadamente os meus mais recônditos desejos e a única "coisa" que me ocorre é tão ridícula e repetitiva que me revolto contra a minha própria falta de imaginação... É triste ver-me aqui a censurar os meus próprios sonhos... a acha-los demasiado surreais, demasiado bons (mas são sonhos!!!!! Não era suposto os sonhos serem assim?) Decido levantar-me, porque já me vejo de lápis azul na mão a decidir o que devo ou não sonhar... Tento recordar-me se teria bebido muito, mas não! Não posso culpar o álcool por este meu devaneio mental.
Olho de novo para a uva e decido comê-la... sem pensar em nenhum desejo, nenhum sonho. Mas a frescura doce do sumo daquela uva esquecida devolve-me a coragem de sonhar… de te sonhar! E de repente, sem que eu te pudesse censurar, já estas no seu sonho… És o meu 13º desejo!
São 8h30… O meu expresso chegou e eu já tenho um sonho para 2005!”
E sim… esta é uma das páginas daquele meu cadernito!!
SS
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8 de julho de 2005
Fala-me de ti...
... Não vamos chorar...
Hoje só queria que estivesses à minha porta para me raptar (de pijama!!) para ir ver as estrelas...
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 20:46:00 0 gravitações
19 de junho de 2005
Para ti... sem ti
Não te consegui demonstrar toda a felicidade que me deste, porque ela não cabia dentro de mim…. Queria ter-te dito tantas coisas… Escrevi tantas linhas por ti, para ti. Palavras tão felizes que não as queria partilhar com ninguém com medo que se perdesse algum pedacinho do sentimento.
Mas as palavras foram-se dissolvendo nas lágrimas do que já não me davas, e eu não te podia pedir. O coração foi-se encolhendo para não se sentir vazio. Os dois planetas voltaram às orbitas distantes, frias.
As memórias encheram-se de solidão.
…O meu sonho já não serve! Ensinaste-me a partilha-lo… e agora já não o sei sonhar sozinha…
ss
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16 de junho de 2005
10 de junho de 2005
Serendipity!
A própria palavra é agradável de se pronunciar, mas melhor ainda é a ideia de que a vida é um conjunto de pequenos e felizes acasos que, se os soubermos interpretar, nos indicam o tal de “final feliz”. Mas então existirá um irremediável destino? O destino de todos nós será a felicidade? Mas a felicidade não se devia construir? Talvez a construção da felicidade não seja uma engenharia de argamassa e tijolos… talvez passe apenas por interpretar esses tais sinais…
E eu já tive tantos… tantos sinais que me levam para onde eu não quero… É triste… mas a minha vida não é um filme… eu não vou encontrar o teu número de telefone numa nota de 1 dollar e tu não vais guardar o par da minha luva.
Os nossos elevadores não levam ao mesmo piso!
… Mas temos o “nosso” banco…
ss
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26 de maio de 2005
Ultimo dia de queima...
Já pisei tantas vezes estes degraus… já tive de os subir com a pressa de quem está imensamente atrasada para um exame, já os desci com o cansaço de um dia cheio de aulas… Subi-os com os melhores amigos que alguma vez tive. Fiquei muitas vezes sentada, como hoje, a ouvir confissões, a preparar festas, a combinar encontros… Já subi estas escadas com a cara encharcada em lágrimas… Já as desci com gargalhadas felizes, enquanto lutava com o meu guarda-chuva que não resistia às chuvadas de Dezembro.
Nessa manha fiz a maior, talvez a melhor, retrospectiva pela minha vida… Recordei, ponderei, questionei, decidi…
ss
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16 de abril de 2005
Tu aqui?
"Que aventura, que intensidade…por vezes próximas duma loucura sentimental que nunca (te) soube explicar. Será que alguma vez a chegaste a sentir? Na verdade nem eu me percebia muito bem e talvez por isso nunca quis que o soubesses. Mas era quase um vício, uma necessidade para a qual eu não encontrava uma explicação lógica. Precisava de saber de ti, ter notícias tuas, perceber-te, voltar a conhecer-te…Sentia que era a única maneira de entrar nesse teu mundo que insistia em seguir uma órbita radicalmente diferente da do meu, que sempre me pareceu demasiado longínquo para que o pudesse sequer ambicionar alcançar!(...)"
Que força é esta que permitiu eclipsar toda a distância entre dois mundos... que engoliu tanto passado, que galgou tantos anos luz para chegar aqui? Onde estamos?
Adoro ver-te no meu blog!
SS
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28 de março de 2005
22 de fevereiro de 2005
Indecisões...

Porque é que nada na minha vida é linear... tenho sempre de desistir de alguma coisa para fazer outra que não sei se gosto mais... ou se gosto menos?? 
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 02:19:00 0 gravitações
19 de fevereiro de 2005
Coordenação
Acto ou efeito de coordenar; disposição metódica que estabelece relação recíproca entre as coisas em que ela se exerce. (na química: tipo de ligação quimíca entre átomos)
Se alguém souber outra forma de ME explicar esta palavra... por favor contacte!
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 15:39:00 0 gravitações
7 de fevereiro de 2005
Carnaval!!
Eh Eh, tal como no ano passado vou dedicar-me ás palhaçadas... Bem pertinho daqueles com quem me sinto melhor!!
Cinco miúdas ao assalto da Sunset! Não percam a sequela...
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 16:40:00 0 gravitações
5 de fevereiro de 2005
Memória
Curiosamente... é nas páginas tristes que me detenho mais tempo! Reparo num papel azul, algo amarrotado, colado com um pedaço de fita-cola à margem de uma folha deixada em branco:
"Andorra, dia 18 de Março de 2003:
Escapei-me do resto do grupo. Estou na janela do meu quarto a fumar um "camel" que veio esquecido na minha carteira, dentro do maço que tinha comprado, a meias, no Verão. Os flocos de neve vão caindo muito lentamente, marcando para sempre a minha primeira noite "branca". Não sei explicar a angústia que me invade... É uma vontade de gritar, de chorar... de me explodir! Algo está mal no meu coração... O **** é uma memoria constante que não consigo tirar um minuto da mente... Fecho os olhos e relembro o sorriso que esboçavas sempre que te dizia "não te curto" e como sentias tão bem que o meu corpo só esperava que me agarrasses e me prendesses para a eternidade. Patetices de criança... acreditar na eternidade!!
A neve que caí lá fora é, sem duvida, o completar de um sonho que no entanto me parece incompleto porque não te tenho, nem te sinto perto de mim. Não tenho ideia do que estás a fazer, do estás sentir, do que são os teus projectos, as tuas duvidas, angústias... alegrias. És um profundo vazio que não me sinto capaz de preencher...
O cigarro acabou. Encho os pulmões com ar gélido que vem da montanha agora totalmente coberta de neve. A música que vai entrando, baixinho, na minha cabeça diz que "Não vai haver um novo amor, tão capaz e tão maior, PARA MIM SERÁ MELHOR ASSIM!!!" Será?? Espero que algo... alguém me possa ajudar a tirar estas lágrimas dos meus olhos. Quero ter esperança de que um dia esta ferida, aberta pelo abandonar de um sonho, vai fechar. Quero ter esperança de que o medo de ser feliz não voltará a deixar-me tomar pela cobardia... Porque afinal, se não houver medo, não é coragem!"
Quase dois anos depois, sinto que podia ter escrito a folheca hoje... porque o caminho que trilhei não foi suficiente para apagar esses "riscos errados e grosseiros do passado que notar-se-ão para sempre"
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 21:36:00 0 gravitações
29 de janeiro de 2005
YOU...
You twist to fit the world that I am in...
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 23:17:00 0 gravitações
26 de janeiro de 2005
Hoje Sonhei...
... Entrávamos os dois juntos no MoMA!! Eu tinha os dois bilhetes cor-de-rosa na mão...que tremia demasiado. Parecia que guardava ali o maior tesouro que já tinha sido meu. Quando os entreguei ao segurança o coração disparou! Não segurei a emoção e deixei escapar uma lágrima que tu afastaste com carinho. Deste-me a tua mão e perguntavas-me se estava preparada:
- Olha que com esses olhos assim não vais ver nada!
Recompus-me e avançámos, muito lentamente, absorvendo cada milímetro de cor, de luz... de arte!!
(...)
E foi o primeiro dia do resto das nossas vidas... passado num ziguezaguear através das épocas... Na cidade que escolhemos para nós.
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 03:30:00 0 gravitações
24 de janeiro de 2005
Look for the Girl With the Broken Smile
Beauty queen of only eighteen
She had some trouble with herself
He was always there to help her
She always belonged to someone else
I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times but somehow
I want more
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved
Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get insecure
It doesn't matter anymore
It's not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along
My heart is full and my door's always open
You can come anytime you want
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved
I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 01:59:00 0 gravitações
Sunday Morning Rain is Falling and I'm Calling Out to You
Sunday morning rain is falling
Steal some covers share some skin
Clouds are shrouding us in moments unforgettable
You twist to fit the world that I am in
But things just get so crazy living life gets hard to do
And I would gladly hit the road get up and go if I knew
That someday it would lead me back to you
That someday it would lead me back to you
That maybe all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
And I never want to leave
Fingers trace your every outline
Paint a picture with my hands
Back and forth we sway like branches in a storm
Change the weather still together when it ends
That maybe all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
And I never want to leave
But things just get so crazy living life gets hard to do
Sunday morning rain is falling and I'm calling out to you
Singing someday it'll bring me back to you
Find a way to bring myself back home to you
And you may not know
That maybe all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow....
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 01:16:00 0 gravitações
20 de janeiro de 2005
É só mais um começo!!
Prevêem-se grandes novidades já para amanhã...
Chegou ao fim a era das gatafunhadas!!
Durante mais de um mês, andámos por aí a flutuar... Amanha ficaremos a conhecer algumas das incoerências gravíticas que encontramos por esses comboios e expressos de Portugal...
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 23:59:00 0 gravitações
5 de dezembro de 2004
Flutuações
Uma inexplicável nostalgia fez-me olhar para o meu blog e ver nele reflectidas algumas das emoções que agitaram a minha vida neste (quase) ultimo ano. Foi bom ver como tanta coisa mudou e como tanta outra ficou na mesma… Tenho flutuações escritas para diferentes nuvens, até porque as nuvens passam com o vento… e já vivi grandes tempestades. Mas todos os ventos que passaram não foram suficientes para acabar com uma pequena casinha de madeira, junto a uma árvore (onde um dia quiseste escrever o nosso nome e eu não deixei), que sobrevive sempre. Não é a casa dos meus sonhos, nem sequer é muito confortável… Mas nunca caiu, nenhum vento foi capaz de a destruir… Está com um aspecto cuidado, mas não é habitada, está fria.
Decido entrar. A medo empurro a porta... É só um quarto… a janela está fechada e as frinchas da persiana deixam entrar só um pouquinho de luz. Sento-me no fundo da cama e fico a tentar perceber o que há de diferente neste quarto… Fico a relembrar um outro quarto, numa outra casa que, apesar de toda a força que fiz para a manter de pé, caiu…
Descubro que a diferença não está no quarto, mas no tempo… que não volta. E se voltar, encontrará pessoas diferentes...
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 13:01:00 0 gravitações
1 de dezembro de 2004
Crónicas Enson(h)adas
Hoje, ainda muitos mais dias depois… Exactamente 52 dias depois de ter escrito estas palavras, continua a vontade de te dizer… não que te amo… mas que te amei… E dizer-te como me sinto triste, porque sempre acreditei que amar só me aconteceria uma vez.
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 09:25:00 0 gravitações
28 de novembro de 2004
Porto Doce
Foi numa destas noites que ouvi... "Quando estamos mesmo apaixonados temos uma imensa necessidade de o dizer, e ele(a) e aos outros... O sentimento é tão grande que não o conseguimos guardar só para nós!"
Relembro a grande discussão desse dia: so eu insistia na possibilidade de "esconder" um grande sentimento...
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 03:10:00 0 gravitações
6 de novembro de 2004
ég gaf ykkur von sem varð að vonbrigðum.. þetta er ágætis byrjun
O que tem inglês se pode traduzir como: "I gave you hope that became a disappointment.. this is an alright start."
E em português como: "A história da minha vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
ss
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31 de outubro de 2004
É tão bom voltar!
Em duas semanas as árvores envelheceram... o caminho que antes era verde, agora está repleto de tons de castanho. Há pedaços de folhas a esvoaçar por todo o lado. É por isso que eu gosto tanto do Outono... também eu gostava de me espalhar assim... Talvez dessa forma me conseguisse encontrar...
Em duas semanas mudou tanta coisa!! Mas continuo a construir-me e.... hoje sinto-me tão mais EU! Como é bom voltar...
ss
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15 de outubro de 2004
Egoíte Aguda!!
Como pude faltar à pessoa que esteve SEMPRE lá!! Que NUNCA me disse um não... que ficou noites inteiras a aturar as dúvidas existenciais desta doida. Agora vejo que, no fundo, tenho tudo para ter uma vida fácil e feliz... mas que teimo em complicar!
Perdoa-me por nunca me ter preocupado, seriamente, contigo... Perdoa-me... E lá volto eu a pensar só em mim!! Não, não me deves perdoar... Eu falhei! É certo que não sabia o que se passava... mas também não procurei saber! Oh... Falhei de forma tão feia e egoísta!
ADORO-TE!! Este Post é para ti, PEDRO FILIPE FERREIRA (Ernestu), que me ajudaste a pôr este blog, tal qual eu o queria... Que me seguraste de pé quando (quase) caí!...
Quebrei o luto... é esta a homenagem, merecida, mas não suficiente... que há muito já devias ter recebido!! Prometo melhorar...
SS
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9 de outubro de 2004
Experiencias II
Há uma pequena luz... muito ténue, que te faz despertar. Não te sentes! Queres abrir os olhos, mas os teus músculos, não respondem. Precisas tanto saber onde estás... saber se , realmente, foi o fim... ou se te deste uma outra (quem sabe a última) oportunidade! Ouves vozes a tua volta...e, uma a uma, vais reconhecendo cada uma das pessoas que te rodeiam. Estão tão perto, quase dentro de ti!? Vais recordando, em imagens breves, os melhores momentos que tiveste com todas elas... As fugas de casa as 4 da manhã para ver as estrelas! As noites passadas na rua a tentar imaginarmo-nos daí a 20 anos. As primeiras chuvas de Outono a que não fugimos.... os cabelos molhados! As viagens... as noites mal dormidas... os temporais. Veneza!! As melhores festas. Os segredos guardados para sempre... os beijos escondidos... as confissões. O primeiro beijo completamente apaixonado, rendido... Os olhares, a amizade... a paixão... e quem sabe o amor?
É tudo tão precioso... tão inesquecível, que uma enorme vontade de continuar invade cada célula do teu corpo... Vais voltando a ti, tão lentamente que tens tempo para saborear a cada pedaço da luz que voltas a ver. Encontras-te. O local é familiar... mas continuas a sentir-te tão perdida! Tenho o que preciso... mas sinto falta de ti. Quem és tu? Não quero nada, mas sinto falta de quase tudo. Paro... Não quero cair outra vez. Não me deixo cair de novo, mas é tarde... já me perdi de mim!!! Vou deambulando por caminhos conhecidos e cansados de serem palmilhados... Sabes que por estes trilhos não encontras nada do que procuras... mas afinal o que é que eu procuro??? Procuro-me, procuro-te...
Recordo... "Silvinha, a felicidade é algo que se constrói, não podes ficar a espera de ser feliz se nunca fizeres algo por isso!".
E eu fiz! Eu tenho procurado... indagado... Talvez este seja o verbo errado... A minha vida tem sido um procurar... e talvez deva ser um construir! Mas será que posso construir-te? Ou devo construir-me para um dia estar a altura de te encontrar? E se precisar de ti para me construir? E se não existires... se já te deixei escapar... se nunca te conhecer?
Hoje é o primeiro dia desta construção... Partimos do zero mas não há limite...
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 06:32:00 0 gravitações
3 de outubro de 2004
Experiências I
Depois de tanto tempo, de tantas linhas rasgados ou guardados em gavetas fundas… (daquelas onde pomos tudo que queremos esquecer mas que não temos coragem de eliminar), parece que as palavras voltaram a fazer sentido… Ou talvez não…Talvez só agora tenha encontrado coragem para reagir a uma verdade que no fundo sempre soube.
As vezes precisamos ir ao fim do mundo para aprender dar valor ao que sempre esteve aqui bem pertinho!! Dar uma volta inteira sobre nós próprios… experimentar dias áridos como um deserto, em que o silencio nos sufoca e só temos por companhia uma imensa solidão… Ficar deitada a olhar um sol que te parece consumir, secando todas as possibilidades de te encontrares! Esperar… desesperas!! Deixas escapar uma lágrima que não chega a cair… eleva-se num corpo transparente que vai iniciar um novo ciclo. Cerras os olhos e rolam mil outras nuvens de tristeza, que, sem dares por nada, provocam uma tempestade tropical! Experimentam-se, então, dias de turbulência, em que ventos adversos sopram a restiazinha de esperança que ainda não tinha escapado. Cai uma chuva que te trespassa... Ficas à chuva… horas e horas… Sentes uma incompreensível felicidade… Sorris! Sorris ainda mais quando te apercebes que já não o fazias à tanto tempo!! Abres os braços e rodas, tentando fugir as gotas de chuva… cada vez mais escassas! Olhas em volta, procurando algum olhar reprovador, mas não há ninguém, só uma lua gigante que te faz sentir pequena, tão pequena… quase insignificante! Paras de rodar… sentes o corpo a deixar-te… tentando rodar num outro sentido. É o fim!?
Deixas-te cair…
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 22:54:00 0 gravitações
9 de agosto de 2004
7 de agosto de 2004
Pequenas Perfeições
"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares (...a propósito da perda da sua mãe, Sophia de Mello-Breyner)
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 11:21:00 0 gravitações
3 de agosto de 2004
Andanças 2004
Oficialmente de férias!!!!
Volto sexta feira ***
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 06:53:00 0 gravitações
30 de julho de 2004
25 de julho de 2004
¿Antigravidade?
Depois de varias insistências… aqui está, não a explicação, mas a inspiração para o título deste blog:
Summer Romance (Anti-Gravity Love Song)
I'm home alone tonight
Full moon illuminates my room, and sends my mind aflight
I think I was dreaming up some thoughts that were seemingly possible
With you
So I call you on the tin can phone
We rendezvous at a quarter-two, and make sure we're alone
I may have found a way for you and I to finally fly free
When we get there, we're gonna go far away
Making sure to laugh, while we experience anti-gravity
AN – TI – GRA – VI – TY!!
For years, I kept to myself
Now potentialities are bound, and sleeping under my shelf
Simply choose your destination from the diamond canopy
And we'll be there
So I call you on the tin can phone
We rendezvous at a quarter-two, and make sure we're alone
I may have found the way for you and I to finally be free
When we get there, we're gonna go far away
Making sure to laugh, while we experience anti-gravity
AN – TI – GRA – VI – TY!!
Incubus (S.C.I.E.C.E.)
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 17:01:00 0 gravitações
24 de julho de 2004
Vazios
Já não vejo a fita... Não a sinto! Entristeço-me e adormeço sem a cor rubra, agora esbatida por pincel chamado solidão.
Ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 02:33:00 0 gravitações
10 de julho de 2004
"Vai ficar tudo bem!"
Não conseguia adormecer… pensava no grande dia que me esperava ao acordar! Fechava os olhos com força, pensado que dormindo custava menos. Mas a imaginação não tem limites e eu via-te... abandonado num comboio, cheio de gente indiferente! Via o teu olhar perdido de quem tem a responsabilidade de cumprir um sonho… Determinação não te falta… mas ainda és tão pequenino, tão frágil! Abro os olhos e percorro todo o quarto! Como será esta casa sem ti?
Quem é que me vai acordar as 8 da manhã de domingo só para dizer que está a dar um programa na TV sobre os “Caças da Segunda Grande Guerra”? Quem é que vai telefonar a meio de um exame para me informar que encontrou um gatinho paraplégico…e que ta a minha espera para eu pagar a consulta do veterinário? Quem é que me vai telefonar todos os dias porque está com saudades… do meu portátil!!!
Fui ver-te a dormir… sempre tão sereno!! Fiquei ali, sentada no fundo da cama, tentando suster as lágrimas que caíam em catadupa. A respiração começou a ser mais forte… os soluços mais altos! Acordaste.
- Oh mana! - deste-me aquele abraço! Secaste as minhas lágrimas e sossegaste-me com teu sorriso…
- Vai ficar tudo bem, prometo-te!
SS
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 02:57:00 0 gravitações







