18 de junho de 2009
13 de junho de 2009
Música do mundo
A sapiência do senhor boliviano que me (en)cantou ao jantar:
No necesito silencio
yo no tengo en quién pensar.
Tenía, pero hace tiempo
Aura ya no tengo más
Atahualpa Yupanqui
ss
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10 de junho de 2009
Dia de Camões
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.
Se males faz Amor, em mi se vêem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís Vaz de Camões
ss
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7 de junho de 2009
História de um gato aos quadradinhos
Chove contra a minha janela. Diluvia.
Há raios a iluminar o céu. Ainda assim, porque é o última noite neste citéa, desço até as palmeiras.
Um gato. Um gato preto, daqueles que dizem dar azar, roça-se sedutoramente nas minhas pernas. E fica.
Senta-se a meu lado como que a contemplar a chuva, como eu.
Fico.
Deixo-me ficar até a tempestade amainar e o meu amigo desaparecer da mesma forma que me apareceu.
Do céu.
ss
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12 de maio de 2009
Uma carta
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
José Carlos Ary dos Santos
Hoje escrevi-te uma carta. Uma carta de amor. Ridícula como todas as cartas de amor.
É enorme. Pura, quase límpida.
Tão íntima, tão minha, que morreria se alguém a lesse.
R i d í c u l a!!
Exacerbada
e ao mesmo tempo tão fiel.
Vou adorar lê-la daqui a uns tempos, quando for já outra pessoa. Quanto tudo o que escrevi for um lento flutuar no qual prespassarão, como ao longo de um sonho, as imagens da tua ausência, do desencanto, da violência desta tristeza.
ss
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27 de abril de 2009
Sons ao entardecer
Like moses has power over sea, so you've got power over me!
coldplay
E isso não é necessáriamente mau!
ss
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25 de abril de 2009
#1 Lisboa
Este dia é, sem margem para dúvida, o dia mais importante do ano para mim. É-o de uma forma tão inexplicável que já não me canso a dissecar as possíveis razões.
25 de Abril é o telefonema para os avós, é o cravo na lapela do avô… são os cravos por toda a casa... Mas é ainda tanto mais: é um sorriso com mais vontade, é um suspiro mais fundo.
Mais uma vez a vida me sorri e, como eu queria, ouvi e cantei a Grândola Vila Morena em plenos pulmões. E cantei o Depois do Adeus, com as lágrimas sufocadas nos olhos vermelhos. Depois veio a Tourada, do Ary dos Santos, que para sempre será o meu poeta (ou não tivesse morrido no mesmo dia em eu nasci).
Quando o cansaço venceu, caminhamos até ao terreiro do paço, e naquelas velhas arcadas apanhei o último táxi em Lisboa.
Já fiz mais um check na minha lista de despedidas. E esta foi deliciosa! Sem a angústia de quando voltar... Despedi-me dos Jerónimos e dos meus tão amados Pasteis de Belém. E fi-lo com quem mais queria fazer. Com quem tinha mesmo que fazer. Houve ainda tempo para um momento fotográfico “Starbucks!!”. Deitei-me mais uma vez na relva do CCB, onde tantas vezes sonhei viver em Lisboa, com vista para o Tejo. Despedi-me da Festa da Música onde tantas vezes adormeci e sonhei como ia ser quando fosse crescida. Tantas amizades aqui cimentei...
Levo ainda comigo a mais bela vista sobre a noite em Lisboa: o Castelo, a Sé, a Ponte 25 de Abril, o Cristo, o Tejo. E o Bairro… as ruas cheias de gente. Os cravos nas mãos.
Com o cerrar das pálpebras, o Rossio, o bolo de cenoura e chocolate no Chiado, a tosta carérrima na Brasileira, o abraço a Pessoa, os passeios pela Avenida da Liberdade, o MP3 gritado cá do fundo, a Assembleia da República, as corridas de bicicleta no parque das nações, os finos no Clube dos Loucos e Sonhadores, a vista arrebatadora do Adamastor, Alvalade e as correrias, o meus tantos e tão bons concertos, o risoto de camarão (com açafrão!)… estão todos cá! E a despedida fica completa com o acenar de mão. O até sempre.
São 7h30 na madrugada de mais um 25 de Abril.
Não sei quando me voltarei a despedir de alguém nesta cidade. Não sei quando volto a esta Gar do Oriente.
Fica a vontade do reencontro.
Levo comigo a Saudade.
SS
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18 de abril de 2009
Maria
Eram 8h30 e já estava à porta de casa embrenhada num nevoeiro gélido de Abril. Levava um sumo no bolso e duas bolachas enfiadas na boca.
Vila Real agora é tão perto!
As maias e tojo vão pintando todo o caminho de amarelo. É Primavera e os montes estão coloridos de flores. Vêm-me à memória aquelas viagens ao Alentejo nas férias da Páscoa, onde o verde dos montados era interrompido pelo vermelho das papoilas, pelo amarelo dos malmequeres, e o rosa arroxeado dos cardos. Mas isto não é Alentejo: é Trás-os-Montes. É Douro (o meu Douro).
Depois de atravessar um pouco de chuva no Marão, Vila Real aparece iluminada por entre as nuvens cinzentas e farrapinhos de azul. Com o serpentear da estrada ia crescendo a angústia. Sabia porque ia; porque tinha dormido tão pouco. E ao pensar no que ia encontrar as lágrimas queriam escorrer-me pela cara. Mordia os lábios. Cerrava os dentes…
Fazemos um reforço de pequeno-almoço. Respiro fundo o ar gelado da serra e sinto-o a queimar na cara. Há mais caminho para percorrer. Precisamos chegar ao rio: o destino é a Régua.
Esta nova auto-estrada é a mais bonita de Portugal.
A vista para o Douro vinhateiro é magnífica e mais do que vê-la, adoro ver o entusiasmo do meu pai a chegar à terra.
Quando era mais pequena não gostava de ir a essa terra. Porque a casa de banho ficava na loja, porque não havia água quente, porque tudo tinha um aspecto menos limpo do que eu estava habituada, porque o cheiro a vinho, ou uvas, ou algo entre os dois pairava sempre no ar. Mas gostava da Tia Maria. Gostava da forma como ela me apertava, da maneira como me mimava. Gostava até do cheiro dela, a velha. E dos longos cabelos brancos que nunca vi senão devidamente apanhados. Gostava da mancha que ela tem na ponta do nariz.
Vim o caminho todo a fitar as giestas brancas na paisagem. Não há destas maias na Maia. É definitivo: gosto das giestas brancas. Gosto muito e nem sei porquê.
Continuava angustiada com a viagem e na minha cabeça começavam a crescer ventos como aqueles que vinham do Marão. Desde que me conheço tenho horror a escolhas difíceis. Nunca gostei de ter que optar por uma ou outra coisa que gosto. Se gosto das duas, então quero as duas! Há-de haver sempre uma forma de as conciliar. E muitas vezes estive em dois aniversários na mesma noite, muitas vezes estive em concertos consecutivos, em locais distantes. Muitas vezes conciliei pessoas inconciliáveis. Muitas vezes não dormi para ter bons momentos e boas notas. E a vida sempre me foi favorável. Até hoje poucas vezes tive de abdicar de algo que quisesse mesmo ter ou fazer, estar ou ser.
Mas a minha vida está numa nova fase, mais ingrata, mais adulta, mais crua. É chegada a altura em que não me vai ser possível tudo. Não há comboios tão rápidos, não há horas tão longas, nem dias só meus. A minha angústia é essa mesmo: é a conciliação de tudo que eu quero, de tudo que eu gosto, de tudo o que eu preciso, de tudo que eu tenho de fazer.
Já se viam as águas do Douro, mas Travassinhos é um pouco mais acima. Há que subir socalcos por ruelas apertadas e despovoadas.
Passam poucos minutos do meio-dia e a tia já espreita pela janela por onde lhe entra o mundo todos os dias.
A Tia Maria, a minha Tia Maria.
A minha Tia Maria que me aperta como ninguém e me olha como ninguém. Em mais nenhum olhar vejo o orgulho que vejo nela. Sei que me adora. Sinto que me adora. E por isso tinha de vir. Por isso queria tanto vir.
A Tia Maria nunca foi casada, não queria homem para mandar nela. Não sabe escrever mais do que o próprio nome, mas aprendeu a ler pelo livro da catequese… porque queria saber todas as orações do senhor. E porque queria ler os livros de que os irmãos falavam. E leu-os. Maria era a irmã mais velha e nunca foi à escola porque tinha de ajudar a mãe a cuidar dos mais novos. A Maria tratou do campo e da vinha toda a vida. Cuidou da mãe, e depois do pai. Cuidou da casa. A Maria, esta mesma que me agarra a mão com vontade, continua a comer o que planta e colhe, e cuida da sua vinha, qual tesouro precioso. Tem o rosto gasto pelo tempo e pela vida dura de quem carrega mais do que um homem valente devia carregar. Mas é doce e delicada: aprecia e cultiva flores de todas as espécies, feitios e cheiros. E conhece-as pelos nomes. Sabe como e quando regar; sabe a época do ano em que vão espevitar. Recolhe sementes e guarda-as para me dar...
A Tia Maria fez hoje 92 anos mas não se esqueceu de nada. Têm a cabeça mais fresca que a minha e sabe todas as datas que lhe são importantes de cor. A Tia Maria usa calças (porque são de mais aconchego para o vento Sudão) e não acha mal que haja divórcio. A Tia Maria faz-me chorar, só de a ouvir contar as histórias de quando o meu pai era pequenino e lhe roubava o mel das colmeias. A Tia Maria enche-me de orgulho e de emoção quando me fala do meu rio: o Douro, o meu Douro. Aquele que me sabe a casa a cada sexta-feira.
Hoje cantei os parabéns à Tia Maria. Tinhamos um bolo e duas grandes velas vermelhas. A velha Maria bufou as velas pela primeira vez na vida e chorou, comovida, abraçada a nós. Os quatro brindamos com vinho generoso da terra.
A minha Tia Maria encheu-me o coração. E mesmo que a angústia de não a ver mais me faça chorar todo o caminho de volta, ficam os planos para Junho! E eu cresço mais um bocadinho, e aprendo mais um bocadinho do que é a vida, a família, e o ter uma profissão.
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10 de abril de 2009
Tenho sempre o Jamie para ouvir...
(...)
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become...
Standing strong
Do you belong
In your skin...
Just wondering
Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long
(...)
(Gran Torino; Jamie Cullum, Clint Eastwood)
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8 de abril de 2009
"Catch the sun,before it's gone"
Gosto de estudar sentada no chão, com as pernas apoiadas na floreira (da qual é minha função cuidar)!
Gosto da pele quente e das rugas que ganho a ler com tanta luz.
Gosto da nortada a enviar-me folhas para locais estranhos (que incluem o jardim do vizinho).
Gosto de verdinho fresco das árvores a despontar para um novo ciclo.
Gosto da minha laranjeira carregadinha de flores que cheiram maravilhosamente e que, um dia, vão dar laranjas (que vão ter gominhos!).
Gosto do cheiro a terra ainda molhada.
Every day it comes to this
Catch the things you might have missed
You say, get back to yesterday
I ain't ever going back
Back to the place that I can't stand
But I miss the way you lie
I'm always misunderstood
Pulled apart and ripped in two
But I miss the way you lie
Catch the sun, before it's gone
Here it comes, up in smoke and gone
Catch the sun, it never comes
Cry in the sand, lost in the fire
I never really understood
Why I didn't feel so good
But I miss the way you lie
I've always been up and down
Never wanted to hit the ground
But I miss the way you lie
Catch the sun, before it's gone
Here it comes, up in smoke and gone
Catch the sun, it never
Cry in the sand, lost in the fire

SS
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21 de março de 2009
Porque hoje me lembraram que eu era Primavera
Obrigada óh promessa do ski!
És um bocado desta Primavera!!!
E porque nunca é tarde para ler o que me ofereceram no aniversário:
Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte como eras entonces cuando aún no existías.
De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.
Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo solo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.
Tú estás aquí. Ah tú no huyes
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.
Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.
Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.
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17 de março de 2009
Conversas importantes…
As segundas nunca são dias bons. Tenho sono e ainda saudades do fim-de-semana. Mas esta segunda que começara em Paris (e com lágrimas) acabou com o coração cheio. Mas mesmo cheio: a rebentar pelas costuras. Acho que nunca ninguém me tinha dito nada tão bonito.
Sabes o orgulho que tenho em ti! Sabes! Já to disse. E saber que tenho algum tipo de intervenção (mesmo que mínima) na pessoa em que te transformaste… enche-me de orgulho, e carinho.
Um amor de amigo, como disseste…
Tenho-te muito!
Obrigada, obrigada, obrigada!!!
SS
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11 de março de 2009
Bordeaux , Camels et Sinatra
Encostada à modernidade, com uma eira de vazio para me acompanhar: aí estou, de óculos de sol a sentir a face torrar com a pequena aberta que a nebulosidade me concedeu. A ver os aviões a levantarem voo a uma cadência ritmada… Penso nos sítios em que ainda quero ir. A sonhar que posso voar agarrada a cometas... como só Principezinho podia. Sinto, finalmente, minha aventura (vulgo PhD) a começar. Além de dedos roídos e um cigarro esfumegante, sinto que tenho muito pouco. E à medida que os músculos se encolhem em resposta à nicotina que me entra no sangue tenho a certeza de que quero dar tudo…
Apetece-me cantar-te “Come fly with me! Lets fly, lets fly away!”
II: Hotel Citéa, junto da piscine.
Tenho os pés descalços e a gelar dentro das minhas sabrinas. O cabelo molhado e meio pijama vestido. Amanhã vou conhecer o meu futuro. E defini-lo, para breve ou para logo… O pânico começa a dissolver-se nas passas mal dadas. O frio é demasiado… a fome é avassaladora. As saudades do chão firme prendem-me ao banco de jardim.
Londres é longe daqui… e Portugal é tão quentinho.
Apetece-me sussurar-me “You aint seen nothin yet... The best is yet to come, babe! and wont that be fine”
III: Walking home... #1 day.
O local é excelente, as pessoas amorosas, o chefinho é um pequeno doce! A comida tem trago doce, e o campus é verde. Há Russian Earl Grey para beber a qualquer hora.
As fatias saem bem porque o mecanismo é magnético. As mossy fibers disparam bem: há facilitação.
Sei tão, tão, tão pouco…
“Nothing the best is good enough for me”
IV: balcon à l'extérieur du laboratoire - zone fumeurs
Mil perguntas : chuva, praia, casa, preços, carro, cinema, o Verão, transportes públicos, as festas, comida, bicicletas, ski, os outros grupos, a cantina, o chefinho.
Carinho.
“Unforgettable, though near or far.
Like a song of love that clings to me, how the thought of you does things to me”
V: Chuva, palmeiras e piscine no Citéa
Voltam os pés descalços. O frio e o cabelo malhado. Aprendi tanto… vi tanto. Criei e atei laços (com força e com vontade). Sinto-me apaixonada e motivada. Amparada e mimada… e ainda assim sozinha e carente. Tenho tudo e falta-me tudo.
Fazes-me, em definitivo, muito falta.
E a Lua, lá está, descoberta a desejar.
“I stand at your gate.
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20 de janeiro de 2009
"Next year, things are gonna change"
Também eu tratei de eleger as minhas resoluções de ano novo: escrevi-as cá dentro. Domingo (podia ter sido um qualquer, mas era esse!), chegada a Coimbra, tratei de os passar para confétis. Os confétis de Times Square. Confétis que voaram entre prédios e luzes e vieram parar às minhas mãos de uma forma Serendipitiosa. Confétis que voaram, um de cada cor, ao som de John Lennon.
Imagine...
Passando por cima de toda a tristeza sou capaz de os escrever, tal qual os imaginei naquela noite gélida. Estão cá todos ainda, e continuo a quere-los muito.
E só mesmo usando a força da imaginação aguentarei esta semana… porque a mim, a cidade parece-me despida de qualquer encanto que alguma vez tenha tido (e tinha muito, mesmo muito!).
É horrivelmente impessoal e transpira insensibilidade. Está despida e não tem pudor.
Faz-me mal.
ss
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25 de dezembro de 2008
"O Pinheiro Descontente"
Era, uma vez, perto de um lago gelado que brilhava como um espelho, um pinheirinho descontente.
- Não gosto do Natal! – gritava. Não quero ser enfeitado. Só gosto do meu fato verde!
Pensar que poderia ir para uma casa punha-o doente. E como só pensava nisso, acabou por ficar mesmo doente. Ah! Quantas lágrimas de resina ele chorou na floresta! Chorou tanto, tanto que, no dia 24 de Dezembro, adormeceu esgotado.
- Coitado do pinheiro! gemiam os vizinhos. Não vai festejar o Natal…
Os duendes ouviram estas palavras e zás!, foram para o lago nos seus trenozinhos. Às escondidas enfeitaram o pinheiro que dormia.
- A minha injecção vai cura-lo! Disse o duende-médico.
Mas o pinheiro nem precisou de injecção. A lua apareceu, aureolando-o de prateado, e ele acordou. Viu o seu reflexo no lago, sorriu, e foi dançar no gelo. Pois é, ele dançou de alegria! Porque achava-se muito bonito, vestido de luzes… Porque agora adorava o Natal!
Os duendes dizem que ele rodopiou tanto que levantou voo e chegou a casa do Pai Natal onde, nessa noite, brilhou como nunca.
Creio que o meu pai me leu este Conto mais de mil vezes…
Talvez por isso eu goste tanto deste símbolo de Natal… de ficar à lareira, media luz, e adormecer com a luzes cintilantes do pinheiro (e os pés escaldados).
Talvez por isso goste tanto de rodopiar e voar… de flutuar, e, em certas alturas, de brilhar (cá dentro) como nunca!
Adoro o Natal e adoro a minha família!
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12 de junho de 2008
Secret Heart
Estudei a noite toda até ao exame, como sempre, e fumei o Camel da praxe à janela, entre as 5h45 e as 6h00, tão bem marcadas pela Cabra (como sempre, pois claro). Vi os primeiros raios de Sol reflectidos no Mondego e voltei para a secretária sempre ao som de Feist.
E por entre passas mal dadas e golinhos de Cola 0 (roubada numa noite da Queima): a música! Esta música. Escutada de olhos fechados e emoção na pele. O corpo dormente da nicotina libertou os pensamentos do cansaço. A Primatologia pôde esperar e ficamos só os dois: eu e o meu coração secreto.
Secret heart
What are you made of
What are you so afraid of
Could it be
Three simple words
Or the fear of being overheard
What's wrong
Let her in on your secret heart
Secret Heart
Why so mysterious
Why so sacred
Why so serious
Maybe you're
Just acting tough
Maybe you're just not man enough
What's wrong
This very secret
That you're trying to conceal
Is the very same one
You're dying to reveal
Go tell her how you feel
Secret heart come out and share it
This loneliness, few can bear it
Could it have something to do with
Admitting that you just can't go through it alone
Let her in on your secret heart
This very secret
That you're trying to conceal
Is the very same one
That you're dying to reveal
Go tell her how you feel
This very secret
Go out and share it
This very secret
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17 de maio de 2008
A maravilhosa vida de um gominho de laranja
Numa laranja há gomos maiores que outros, uns mais doces outros mais ácidos. Mas o que interessa numa laranja, o que faz dela uma boa peça de fruta, é o seu sumo. É a soma de cada um desses gomos bem espremidos. Um gomo mais azedo logo é compensado pelos gomos mais docinhos. À laranja doce demais falta-lhe aquela acidez característica dos citrinos… por isso até os gomos mais azedos são bem-vindos!
E se um gomo resolver que já não quer mais fazer parte daquele todo, que é a laranja? Aquela laranja que se esforçou tanto para que ele nascesse. Aquela laranja que empurrou para os lados os outros gomos mais antigos e lhes explicou, com paciência, a importância dos gominhos.
Aquela laranja pediu, com todo o seu coração, caroço, digo!, para que o gomo ficasse e fizesse parte dela. Mas o gomo só poderia ficar se fosse verdadeiro… Então a laranja implorou-lhe que fosse verdadeiro.
Um gomo de uma laranja, uma vez nascido, já não pode mais sair. Há a casca!! Para partir, o gomo comprometeria toda a estrutura da laranja… e nem mesmo o gomo mais cruel quer mal à sua laranja!
O gomo ficou.
Mas não foi verdadeiro. E então foi apodrecendo…
Nenhum gomo apodrece sozinho.
Aos poucos toda a laranja estava comprometida. O gomo, que nem queria mal à sua laranja, fê-la cair, apodrecida e dolorida, no chão.
Moral da história:
1ª: Ainda bem que não sou uma laranja, ou estaria estatelada no chão à mercê da minha cadela-comedora-de-laranjas (ainda que nenhuma dentada dela doesse tanto como a queda!).
2ª: Tenho de parar de comer laranjas na cantina.
ss
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14 de maio de 2008
Uma semana de nostalgia
And now, the end is here
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case, of which I'm certain
I've lived a life that's full
I traveled each and ev'ry highway
And more, much more than this,
I did it my way
Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do and saw it through without exemption
I planned each charted course, each careful step along the byway
And more, much more than this,
I did it my way
Yes, there were times,
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all, when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall and did it my way
I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside, I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way,
"Oh, no, oh, no, not me, I did it my way"
For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught
To say the things he truly feels and not the words of one who kneels
Há uma jornada de vida que está a chegar ao fim… uma meta que precisa ser alcançada, ainda que as vezes me faltem as forças para o sprint final. Independentemente do pânico que me possa assolar neste momento, uma certeza eu tenho:
ss
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22 de abril de 2008
Love Emergency
Sabes que dia é hoje?
Gostaria de te pedir que viesses hoje, já, imediatamente para aqui! Com toda a educação exigir-te que estejas ao meu lado esta noite. E não! Não pode ser amanha, ou daqui a uma semana! Eu preciso que seja hoje.
Queria tanto que fosse já!
ss
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21 de fevereiro de 2008
Estado de Espirito
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in this grey,
In this blue shade,
My tears dry on their own.
So we are history,
Your shadow covers me
The sky above,
A blaze only that lovers see.
Amy Winehouse (Tears dy on their own)
i m e n s a s!
que a cada dia se vão retorcendo cá dentro,
mas que já nao cabem neste corpo apaixonado.
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15 de setembro de 2007
"Fazes muito mais que o sol"
Menos de uma hora depois lá estava sentada por baixo da árvore da saudade. Poderia ter escolhido a do amor, a da esperança... mas eu queria a da saudade, pois é debaixo dela que está o banco com a melhor vista para o Douro, para a vida e o que de melhor ela tem! Liguei a minha Pandora (é assim que chamo ao meu mp3) e deixei-me ficar quietinha, de olhos bem abertos para a cidade e para dentro de mim. Adoro o ziguezaguiar deste “jardim dos sentimentos”.
Adoro a forma como me sinto invadida de prazer quando me sento neste cantinho do Porto. Adoro a forma como o ar é leve aqui. Pudesse eu escolher um pedacinho do mundo só para mim e escolhia este banco por baixo da saudade.
À medida que ia percorrendo aquele labirinto de calçada branco-lua, com o olhar, sentia-me como que a jogar com os sentimentos que as várias plantas me inspiravam. Daqui tudo parece conjugável. Não há sentimentos disjuntos, ou impossíveis: aqui posso reunir tudo o que tenho cá dentro e formar um jardim belo e harmonioso. Aqui a dor aparece-nos vestida de uma estátua cinzenta e marcante, bonita até. A saudade é frondosa e oferece abrigo nos dias em que o Sol nos parece magoar. A solidão é uma araucária erguendo alto as suas taças, transbordando de folhas, contra o céu nublado. O amor é caduco, instável, com flores de um rosa perfumado na Primavera e despido nos dias de Inverno.
Neste jardim dos sentimentos, tudo é o diferente do que devia ser. Aqui não me parece feio querer-te. Aqui, gostar de ti não é o contrário de gostar de mim. Neste cantinho a vontade conjuga-se com o verde do rio e faz-me querer-te, sem recriminação. Aqui as vozes das árvores sussurram desejo e trazem sonhos sumptuosos e incontroláveis. O coração ganha vida própria e apressa-se a bater, desesperado, por nós.
Mas se nesse jardim me sinto uma guerreira corajosa, de longos cabelos pendentes na brisa e uma espada pronta a desfazer, sem mácula, todos os medos, fora dessa redoma sou (apenas) eu, de cabelo curto e sem armas que me permitam atravessar a floresta sinuosa em que me deixei cair. Estou suspensa entre mim e ti, e preciso optar: ou por mim, ou por ti. Não posso viver sem mim, mas custa-me tanto viver sem ti. Se ao menos nesta floresta escura houvesse uma árvore da saudade...
Se a houvesse juro que treparia até ao topo para te cantar:
“Vem quebrar o medo, vem.
Saber se há depois
E sentir que somos dois,
Mas que juntos somos mais.”
PS - um dia sonhei que esta era a nossa música!
ss
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11 de setembro de 2007
11 de Setembro
Estas férias fizemos arrumações ao sótão. Brinquedos, livros, cadernos... caixinhas de memórias de toda uma vida. Selecionar o que é ou não para guardar... recordar! Abri o livro das memórias e tenho-o pousado no regaço pronto para o folhear, deliciosamente.
Recoração #1
Um jornal da "escolinha". O primeiro artigo de opinião publicado. O choque...
Já passaram seis anos (acreditam?). Hoje, depois de visitar NY, de andar pelas ruas (que aqui aparecem sujas) de nariz no ar, tentando imaginar as duas torres, continuo a arrepiar-me. Continuo a não querer acreditar... apesar de ter visto aquele buraco gigante rodeado de fotografias de bombeiros e policias mortos.
Perto daquele Ground Zero todos nos sentimos tocados... profundamente.
ss
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25 de junho de 2007
Flutuo
Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
O meu destino está fora de mim e eu aceito
Sou eu despida de medos e culpas, confesso
Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã
Flutuo, consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá e eu não contesto
Amanhã, pensar nisso sempre me dá mais jeito
Fazer de mim pretérito mais que perfeito
Hoje eu vou fingir que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã
Hoje eu vou fugir para não me dar a vontade de ser tua
Só para não me ouvir dizer que as coisas vão mudar
amanhã, amanhã, amanhã
Flutuo
Para (re)começar, nada melhor que uma música que, para mim, é perfeita!!!
SS
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24 de junho de 2007
Amor Perfeito
Aproveito cansaço dos Santos Populares para me sentar, como tanto gosto, de “pernas à chinês” sobre a cama. Olho para a folhagem de verão, no seu verde forte (longe daquele verdinho fresquinho da Primavera), que se estende para lá da minha janela. Foram estas mesmas árvores que num dia de Inverno me fizeram ter vontade de escrever. Os ramos despidos que apareciam por entre um nevoeiro cerrado faziam-me desejar uma mudança.
Mudar. Será possível uma pessoa mudar sem perder a sua índole natural. Não sei bem se gosto da palavra mudar. Sempre preferi a palavra recomeçar. É que na palavra mudar está implícito um erro: “se vou mudar é porque este caminho está errado, ou não me leva ao meu objectivo”. Mas estará de facto errado? Temo parecer teimosa, casmurra... O problema é que não há em mim esse sentimento do “errado”... Não acho que deva mudar. Porquê contentar-me com uma solução intermédia se continuo a acreditar na perfeição? Continuo a querer apenas a perfeição. Não, não me chega um amor bom, eu quero um amor perfeito, um amor que se enquadre nos cânones da perfeição romântica. E não vou mudar, recuso-me! Vou antes continuar a recomeçar de cada vez que falhar.
Mas o que é um amor perfeito?
Pode ser um flor muito bonita que já tratei de estudar até ao mais pequeno pormenor (velha promessa de criança) e que adoro guardar no meio dos livros que mais gosto.
Pode ser um sonho, uma utopia de alguém que continua a acreditar na perfeição.
Amor perfeito, para mim, não significa intervenientes perfeitos ou relações perfeitas. Amor perfeito é isso mesmo: perfeito, porque as duas pessoas que o constroem não poderiam gostar mais uma da outra. Amor perfeito ocorre quando a conjugação do sentimento é total, como se resultasse de um vaso partido, cujos cacos se encaixam “na perfeição”. As vezes quando o vaso se parte, sobram pequenas poeiras de cerâmica que impedem que as peças se encaixem na totalidade. Há hiatos, pequenas falhas que estragam todo o resultado final.
Um amor perfeito faz-se de um material intocável: de amor! É ele que não deixa o vaso quebrar-se em pedacinhos pequenos e irrecuperáveis. Um amor perfeito não é um vaso inquebrável! Continuando a metáfora, o amor perfeito é um vaso que, não importa quantas vezes se parta, volta à sempre ao seu aspecto inicial: perfeito. Sem fissuras nem pontos fracos. Sem marcas. O amor perfeito é feito desse material imaculado que é a confiança. Amor perfeito é aquele que não muda! Que se pode recomeçar... mas que não muda!
Tudo isto para dizer que estou a recomeçar! E que como objectivo não tenho nada menos que um amor perfeito!
PS1 - Achas possível?
PS2 - Eu acredito que é!
ss
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8 de abril de 2007
O peso e a leveza
Há vários dias que me tenho ocupado em deambulações mentais sobre este tema. Sempre acreditei que uma vida ideal seria aquela em que o peso (leiam-se as relações humanas que vou estabelecendo) seria tanto que se tornava leve. Como se o peso e a leveza se conjugassem na perfeição para uma existência equilibrada e feliz. A vida seria então a busca de uma leveza dentro do peso. Porque o peso era real, estava mesmo lá, implacavelmente forte; competindo-nos a tarefa de o tornar leve, de fácil trato… saboroso até.
Olhando-me no interior sei que sempre senti que a minha vida era leve, tão leve que, por vezes, se tornava insustentavelmente leve e por isso me pesava. Porque no vazio da leveza as partículas do nada chocam ferozmente contra a mim. Magoam! Empolam ainda mais o nada que me preenche, esvaziam-me. As vezes sinto-me como um balão que de tão insuflado se perde do chão e flutua à deriva numa camada acima da atmosfera… onde falta oxigénio e faz frio. Muito frio. Não sou infeliz. De todo! Mas sinto falta do peso como um balão sente falta dos sacos que o levam ao solo quando precisa descansar. Sinto falta do peso como bússola que me oriente numa direcção (ainda que possa estar errada). Sinto falta do peso mesmo que este possa pesar demasiado. Para mim o peso é concreto e real, e a leveza pode não ser mais que uma sensação, prazerosa mas efémera. Numa queda livre, a leveza do nada pesa com toda a sua gravidade e precipita-me numa vertigem.
O problema é que a separar o peso sustentável do peso insustentavelmente pesado está uma barreira muito ténue que é facilmente transposta. Terei eu a capacidade de evitar o insustentável peso sem me perder na insustentável leveza do ser?Tenho medo (talvez terror) do peso demasiado, da prisão de um sentimento, das obrigações e convenções a que o coração me obriga. Tenho medo da dependência, do hábito. Tenho medo de tudo que me possa ser arrebatador e por isso privo-me. Então, independência e desobrigação conjugam-se na mesma equação que, não tem outra solução senão a Solidão. Se a leveza comporta nela o medo de voar, o peso faz-me ter medo de cair. Ambos me entorpecem. Flutuo na leveza com pânico do peso demasiado e perco-me do peso sustentável, daquele peso bom que adoça a leveza sem a tornar menos leve.
Porque fujo do peso a minha leveza tornou-se pesada! Insustentavelmente pesada de tão insustentavelmente leve.
Tenho vertigens!
ss
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21 de março de 2007
E porque hoje é o dia mundial da poesia...
Amor sem Tréguas
É necessário amar,
qualquer coisa ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.
Não importa de quem,
não importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.
Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá o que for.
Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.
Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.
Amar como um homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.
Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.
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9 de março de 2007
Ontem... Hoje. Amanhã!!
Durante meses… muitos meses, a tua imagem aqueceu-me os dias e, todas as noites antes de me deitar procurava um bocadinho de ti… de nós.
Até ontem.
Ontem foi última vez que me permiti procurar-te. Foi a última vez que esperei, esperançada, por uma resposta tua.
Hoje…
Saudades!
Aviva-se a memória! Vejo-me a andar pelos corredores de um hotel em Nova Iorque, em calçõezinhos de pijama, a fugir dos hóspedes que entram e saem dos quartos, a toda a hora, nessa cidade que nunca dorme. Lembro-me de me esforçar ao máximo para não acordar nenhum turista cansado… mas de o ter feito! Sorrio ao relembrar a corrida desenfreada por dois andares acima em fuga a um turista rezingão que (com toda a razão!) me queria esfolar por lhe ter perturbado o tão valioso sono… Lembro-me de te sussurrar pelo telefone que tinha saudades tuas. E como tinha!!
Lembro-me do postal que te escrevi.
Lembro-me que a cada visita que fazia, a cada novidade, cada monumento, a cada sensação… o que mais me apetecia fazer era ligar-te! Partilhar contigo os sentimentos que aquelas cidades, e todas aquelas histórias me traziam.
Lembro-me do tempo em que uma simples lembrança tua me preenchia, como mais nada. Lembro-me dos dias em que te encontrava em todo o lado, num livro, num filme, numa simples conversa… e flutuava, sozinha, de encontro a ti, ou ao que eu sonhava que tu fosses. Ao que eu queria (tanto) que tu fosses. Provavelmente ao que eu imaginei que tu fosses. E perdi-me. Perdi-me da realidade: porque ela não era suficiente, porque muitas vezes magoava, porque era assim mesmo, real e descolorida.
“Não me culpes”. Não me julgues só por aquilo que julgas saber. Porque não sabes. Porque eu não te disse.
“Não culpes o meu coração”, porque ele se encheu, transbordou de ti. Está encolhido agora, tirita de frio pela tua ausência. Ou pela ausência do que nunca foste, mas que ele sempre esperou que viesses a ser.
Culpa antes, a minha racionalidade acéfala, a minha forma flutuante de vivenciar até as coisas mais terrenas. Culpa-me, por te ter querido tanto, tanto tempo. Culpa-me por ter alimentado a ilusão com mensagens de segunda-feira de manhã e com migalhas de lembranças de momentos cada vez mais distantes e aconcretos!
Perdi-me de ti e perdeste o sentido…
Há cerca de dois meses escrevi-te um postal (mais um). Queria entregar-to, mas não pude, não deu (cliché horrível este!!), não quiseste!
Vou guarda-lo, com carinho, com amor… junto de todas as outras lembranças adoráveis que me trazes.
Amanhã, tu serás só tu. A ilusão e o amor ficarão fechados naquela gaveta funda onde guardo tudo aquilo de que um dia me preencheu, mas que não preenche mais.
Boa noite.
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6 de março de 2007
Que bom, tão bom!
Esse calorzinho (que nos aquece):
I'd like to close my eyes and go numb
But there's a cold wind coming from
The top of the highest high-rise today
It's not a breeze cause' it blows hard
Yes, and it wants me to discard the humanity I know
Watch the warmth blow away
Do you think I should adhere to that pressing new frontier?
And leave in my wake a trail of fear?
Or should I hold my head up high
And throw a wrench and spokes by
Leaving the air behind me clear?
Don't let the world bring you down
Not everyone here is that fucked up and cold
Remember why you came
And while you're alive
Experience the warmth before you grow old.
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1 de janeiro de 2007
É a vida... e “a vida que se lixe!"
Por amor.
Mas a minha vida não vai parar, nunca. Não! Não preciso de ti. Não preciso mesmo! És uma desilusão quando comparado com o que sinto por ti. Não és a minha vida… és “só” o meu amor: egoísta. Só meu.
“…Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
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14 de dezembro de 2006
Dois meses...
Dois meses…
Dois meses passaram desde que o ser que mais me amou na vida, morreu! Acho que ninguém compreende exactamente o que é amar um animal, mas que eu amei também a minha cadela com cada pedacinho meu capaz de o fazer, amei!!
Mentiria se não admitisse que é, sem margem para dúvida, a perda mais dolorosa de toda a minha existência. E não, não me digam que devia estar preparada, porque não há preparação possível para a morte de quem mais se ama. Não há frase ou pensamento que pudesse atenuar a visão do animal prostrado, de olhos semiabertos e fundos. Não há abraço que faça esquecer o toque do corpo frio e parado. Não há! Não há nada que nos possa preparar para o vazio, o nada, que é a morte.
Nessa noite, há 2 meses, abracei-a com toda a força pela última vez. Como pode alguém estar preparado para o último abraço?
Era uma cadela velha, doente e cansada. Ainda assim esperou até onde lhe foi permitido e morreu num sábado…
Esperou por mim, como me tinha prometido!!!
E eu pude coser um pano branco em seu redor como sempre pensei que faria… e por cada ponto que dei repeti que a amava e relembrei a nossa vida conjunta:
16 anos!!
16 anos de aventuras, momentos, angústias, ternura e compreensão. 16 anos de uma amizade mais forte do qualquer outra, 16 anos de uma confiança total. 16 anos de puro amor!
Dois meses…
Dois meses em que cada manhã dá lugar a uma lágrima travada ao olhar a sua fotografia, que sou incapaz de retirar de qualquer um dos meus dois quartos.
Dois meses em que não houve sequer uma noite em que não a tenha recordado por entre lágrimas e soluços apertados para que ninguém oiça.
Dois meses recheados de momentos (tão desejados), mas que não pude saborear na totalidade, porque esta tristeza intrínseca me seca o coração.
Não me quero dar a essa tristeza e luto, luto todos os dias para sair do quarto com um sorriso e um bom dia “suculento” pronto para ser desejado. Mas é difícil…. É tão difícil esconder de todos que ainda não consigo acreditar que a minha “Fofa” já não me espera, todos os fins-de-semana.
Dois meses…
Dois meses desde que coloquei o primeiro pedaço de terra que cobriu todo o seu corpo aconchegado na mortalha que lhe fiz. Desde então o jardim passou a ter um local mais especial, que gosto de olhar sempre que chego depois de cada semana.
O que mais custa são as saudades do toque do pêlo macio; as saudades de entrelaçar as suas orelhas por entre os meus dedos e de as sentir quentes. Que saudades do seu nariz molhado a encostar-se ao meu!! Saudades do seu olhar de mimo e de ternura que me enchia a alma como nenhum outro. Saudades de tudo nela… saudades dela.
Saudades que não consigo afastar, porque não há como lembrar um toque macio ou um nariz frio. Não o sei fazer. Lembro-me sim de como tudo nela me fazia feliz e como não o tenho conseguido ser, desde que partiu.
Dois meses…
Dois meses depois de lhe dizer “Adeus”, plantei uma arvorezinha que dará flores na Primavera. Com pétalas brancas, como eu adoro! Uma planta que utilizará nos seus ramos as moléculas de que era feita. Não terá o seu brilho é certo, mas terá vida!
Vou recorda-la até que estas lágrimas se cansem de cair… E, a partir desse dia, Fofa será “só” a melhor memória que alguma vez terei guardado!
Dois meses…
Mas ainda não aprendi a viver sem ela, a minha querida cadela!
ss
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5 de outubro de 2006
'Case you...
Três da manha. Coimbra. Amigos!! E tudo volta à cor maravilhosa que tinha no primeiro ano: o cheiro da terra molhada, a cerveja derramada pelos caminhos. As passadas desajeitadas que se deixam ver por debaixo da capa justa ao corpo.
Gente pelas ruas, alegria, excitação... felicidade?
E tu, aqui! Na minha mente…
“You want to stay with me in the morning
You only hold me when I sleep,
I was meant to tread the water
Now I've gotten in too deep,
For every piece of me that wants you
Another piece backs away.
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.
You already waited up for hours
Just to spend a little time alone with me,
And I can say I've never bought you flowers
I can't work out what the mean,
I never thought that I'd love someone,
That was someone else's dream.
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause someday I might call you from my heart,
But it might me a second too late,
And the words I could never say
Gonna come out anyway.
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.
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29 de setembro de 2006
23 de agosto de 2006
Extase
Há sonhos que se superam a si mesmos.
Mais que realização, mais que felicidade...
Lágrimas de extase, puro extase!
...Como um flutuar
ss
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9 de agosto de 2006
Sometimes, when I look deep in your eyes, I swear I can see your soul
Secrets I can’t keep
Let me in, unlock the door.
E os entretantos /São as minhas esperas
Obrigado!!
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28 de julho de 2006
Uma carta
Talvez não devesse escrever-te assim de surpresa! Talvez... A verdade é que não me tenho reconhecido: já não encontro as dúvidas (quase não me lembro de algum dia as ter tido). Os meus dias são agora recheados de momentos marcados por um coração acelerado que se quer abrir, e começo a sentir-me esvaziada de forças que consigam parar estas palavras gritadas em murmúrios cada vez mais agudos.
Saudades de te ouvir dizer o meu nome.
PS1 - bah..... mas eu não disse que não tinha dúvidas?
Sílvia
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2 de julho de 2006
12 de junho de 2006
Novos Sons
Depois vem a emoção de abrir a caixa e vê-lo pela primeira vez: um pequeno circulo de brilho prateado onde há sempre pequenas surpresas. Com um só dedo vou rodando-o na caixa até que as letras fiquem perfeitamente na horizontal. O título, os autores, a editora, tudo parece ter um encanto diferente quando o olho pela primeira vez. Cada um tem uma energia difrente, mas igualmente poderosa. Pressionando com o polegar o centro da caixa, vou percorrendo todo o perímetro daquele círculo que parece ter poderes magnéticos e capta toda a minha atenção. Decido então aplicar uma força numa pequena porção da borda, puxando-a para mim. Basta um pequeno som seco e já o tenho na mão: então demoro-me mais um pouco enquanto procuro a minha imagem no verso do CD, por entre as cores do “arco íris” que cada CD tem em si.
Ligar o leitor de CDs. Esperar (uma eternidade) até que a porta suba os centímetros suficientes para que possa encaixar o meu precioso circulozinho. Esperar mais longos segundos que volte a descer. Carregar naquele triângulo universalmente conhecido e ver o CD a bater a inércia começando o seu movimento rotativo… cada vez mais rápido.
Surgem os primeiros sons: recosto-me na cadeira, arranjando a melhor posição para colocar as pernas entrelaçadas uma na outra. Agora sou toda ouvidos!!!
É tão espectacularmente inebriante ouvir uma música, não pela primeira vez, mas pela segunda: e deixar a mente flutuar para a primeira vez que a ouvimos. De olhos fechados vou relembrando cada passo de dança, cada abanar ancas, cada agitar de braços, cada pressionar de teclas, cada expressão do interprete… O silêncio da plateia, que ouvia atentamente a nova canção, interrompido pelas palmas e outras manifestações de felicidade invade-me a mente. Seguem-se mais músicas, mais imagens arrepiantes de uma das melhores noites de sempre: canções cantadas no tom mais alto que me era permitido! A excitação de uma noite de Primavera com sabor a Verão, relembrada num abraço cantado que foi partilhado com amigos. E como é bom sentir o cheiro a novo das folhas que vou virando a cada música. As páginas escuras são alternadas com as páginas claras: todas num azul que se vai apresentando com diferentes intensidades. Páginas que se vão pintado aqui e ali com outros tons, alguns cantados, outros imaginados… sempre sob um mar de aço que não me permite sair deste sonho acordado.
De todos os dose pequenos momentos de descoberta que esta tarde me proporcionou, destaco aquele que deixou um sabor doce de beijo nos lábios, e que me deixou suspensa, até agora, na minha própria viagem deMente:
“I don’t want to be adored
Don’t want be first in line
Or make myself heard
I’d like to shine a liltle light
To shine a light on your life
To make you feel loved
No, I don’t want to be the only one one you know
I want to be the place you call home.
(...)
Just shine, shine shine
Shine a liltle light
Shine a light on my life
And worm me up again ”
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 00:34:00 5 gravitações
17 de abril de 2006
Fotografar
Continuo, boquiaberta, a encher-me da emoção das cores, dos brilhos, dos cheiros. Ouvindo os sons repetidos da água que refresca os meus pés descalços. Salpicos de luz vão molhando-me o vestido branco. Uma onda maior arrasta a areia e o chão parece mover-se… mover-me de encontro à água, tão verde! Sorrio e deixo que a água me pinte a roupa em tons de mar, que as ondas me embalem a alma e que a maresia me devolva as lembranças desta praia: a minha praia.ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 12:24:00 5 gravitações
2 de abril de 2006
Terapia da Tristeza
Recosto-me entre os lençóis e imagino-te a cantar, baixinho, so para mim.
“It isn’t very dificult to see why
You are the way you are.
Doesn’t take a genius to realise
That sometimes life is hard
It’s gonna take time
But you’ll just have to wait
You’re gonna be fine
But in the meantime
Come over here lady
Let me wipe your tears away
Come a little near baby
Coz you’ll hael over
Heal over
Heal over someday
And I don’t wanna hear you tell yourself
That these feelings are in the past
You know it doesn’t mean they’re off the shealf
Because pain is built to last
Everybody sails alone
But we can travel side by side
Even if you fail
You know that no one really minds
Come over here lady
Let me wipe your tears away
Come a little near baby
Coz you’ll hael over
Heal over
Heal over someday
Don’t hold on but don’t let go
I know it’s so hard
You’ve got to try to trust yourself
I know it’s so hard, so hard
Come over here lady
Let me wipe your tears away
Come a little near baby
Coz you’ll hael over
Heal over
Heal over someday”
(KT Tunstall)
É incrível como esta música se aplica às duas. Uma sempre com a outra. De amiga para amiga.
ss
Anti-gravitação por Sílvia à(s) 01:13:00 2 gravitações

